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A caatinga é conhecida principalmente por ser um bioma exclusivamente brasileiro, diferentemente de outros biomas como a Amazônia e Mata Atlântica que se estendem por outros países. Esse bioma foi, durante muitos anos, estigmatizado como sendo uma área “sem vida”, e, por isso, sem importância. Essa definição popular e errônea fez com que os olhos de muitas pessoas se voltassem para biomas como a Amazônia, isto é, para áreas com florestas exuberantes e fauna visivelmente diversa.

Entretanto, alguns pesquisadores decidiram se dedicar à estudar a fauna e flora da caatinga, descobrindo alguns fatores de muita importância para desmitificar pensamentos populares que vêm desvalorizando esse ecossistema: a caatinga apresenta características adaptativas próprias para suportarem os períodos de seca do ano; por exemplo, a vegetação perde suas folhas durante esses períodos, sendo isto uma estratégia para evitar a perda d’água por evaporação. Além disso, modificações morfológicas das folhas em espinhos também constituem adaptações para essas áreas, pois, além de evitar a perda de água, essas estruturas conferem proteção aos vegetais contra herbívoros. Para os botânicos dedicados ao estudo da caatinga, essas e outras características adaptativas representam um espetáculo natural, claramente visível principalmente na passagem da época de seca para o período chuvoso no ambiente.

O fato de perderem suas folhas nessa época tornam a vegetação singular por permanecer exposto apenas os galhos secos — por isso, os indígenas que viveram na caatinga no passado deram o nome de “mata branca” a esse bioma. A característica da presença apenas de galhos secos durante boa parte do ano faz com que muitas pessoas desprezem a caatinga, argumentando que tal área não “possui beleza natural”. Mas, devemos lembrar que essas características representam o poder de adaptação de uma vegetação que não recebe chuvas constantes.

No caso da fauna, a situação é semelhante. Em épocas de seca, os animais buscam abrigo embaixo de pedras, no interior de cupinzeiros e formigueiros, em vegetais com folhagem, entre outros. Então, mesmo que a fauna não esteja muito visível, não significa que não exista “vida” nesses ambientes. Com a chegada das chuvas, é possível encontrar diversas espécies, especialmente insetos, se locomovendo nessas áreas.

Pesquisas apontam que a caatinga possui até mesmo uma biodiversidade de angiospermas maior que outros ecossistemas como a própria Amazônia, apresentando uma média de 4 espécies por mil km² na caatinga, e 2,5 espécies por mil km² na Amazônia (Journal of Arid Environments, 6 de janeiro de 2020). Isto nos mostra o quanto esse bioma possui uma riqueza biológica inestimável.

Em contrapartida, a caatinga é o bioma mais degradado do Brasil. Pesquisas mostram que restam apenas 1% de área 100% nativa, pois todo o restante está modificado pela ação humana. Dentre estas atividades, podemos citar a exploração de árvores para o estoque de lenha, utilizado na produção de carvão; desmatamento de grandes áreas para o estabelecimento de atividades de agricultura e pecuária; extrativismo; exploração exacerbada de recursos naturais para o artesanato; práticas inapropriadas de turismo, entre outros.

As pesquisas científicas que nos mostram o quanto esse ecossistema é biodiverso e necessário ao equilíbrio do meio ambiente como um todo, devem nos alertar a conservar e/ou preservar essas áreas, pois, seu uso insustentável irá gerar consequências irreversíveis para a natureza.

Jessika Albuquerque
Jessika Gabriel de Albuquerque, graduanda em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e membra do Laboratório de Ecologia de Térmitas (LET). Ministra aulas e realiza pesquisas científicas, além de ser autora em jornais e sites de divulgação científica.