Parque Nacional de Brasília, 19 de 7 julho de 2017. (Créditos da imagem: Andre Borges/Agência Brasília).

O Brasil tem visto mais incêndios florestais em setembro que em qualquer outro mês desde que os registros começaram, e as autoridades avisaram que 2017 pode superar o ano que obteve os piores índices de chamas florestais se ações não serem tomadas em breve.

Especialistas dizem que os incêndios são quase e exclusivamente devido a atividade humana, e eles atribuem isso ao aumento da expansão da agricultura e redução da fiscalização e vigilância. O baixo nível do índice de chuvas também estão contribuindo com os incêndios.

O Instituto Natural de Pesquisas do Espaço (INPE) tem detectado 106 mil incêndios destruindo a vegetação natural em setembro — o maior número nesse mês, desde os registros começaram, em 1998, diz Alberto Setzer, coordenador do monitoramento por satélite de incêndios do INPE. “É fundamental entender que esses incêndios não são de causas naturais. São produto da ação humana”, disse Setzer.

Os incêndios são frequentemente usados durante o período de seca no Brasil para desmatar florestas e limpar o solo para a criação de gado, agricultura ou extração. O número total de queimadas desde 1 de janeiro foi de 196 mil, e Setzer demonstrou preocupação quanto à isso — com o episódio da seca se perdurando na região amazônica — 2017 pode ultrapassar o pior ano registrado, 2004, com 270 mil incêndios.

De acordo com o INPE, o desflorestamento tem aumentado continuadamente desde 2012, quando um novo código florestal deu anistia aos desmatadores. O último dado disponível de 2016 mostrou um aumento de 29% no desmatamento desde o ano anterior.

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Queimadas são ilegais e geram grandes multas, mas o fogo é frequentemente usado para limpar a terra com fins de pastoreio, criação de raças ou até mesmo por conflitos de terra, que ocorrem constantemente nas regiões Norte e Centro-Oeste.

O Presidente Michel Temer tem sido muito criticado por ambientalistas por fazer severos cortes no orçamento de proteção ambiental, o que tem dificultado a ação das polícias ambientais do país, que são responsáveis por realizar inspeções e ataques contra os “foras da lei”.

Em setembro, depois de um longo mês de batalha, bombeiros acabaram com um incêndio em um parque estatal do Tocantis, onde acredita-se que um fogo foi aceso por pescadores nas localidades e, por causa do período seco, os ventos conseguiram transportar o fogo e gerar uma área devastada que corresponde, aproximadamente, a três vezes o estado de São Paulo.

Cristiane Mazzetti, uma ativista brasileira do Greenpeace disse: “As políticas do governo Temer indicam para aqueles que estão no campo que as portas estão abertas para mais desmatamento e mais incêndios”, listando também uma série de medidas feitas pelo governo Temer, incluindo a redução protetiva de áreas da Floresta Amazônica e dando anistia para grandes latifundiários locais.

Críticos dizem que Temer está agindo em nome do interesse de poderosos agricultores e mineradores dentro do Congresso. Recentemente, o governo foi criticado por abrir uma vasta reserva amazônica para a mineração internacional, decreto que depois foi revogado.

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Os estados mais afetados por incêndios este ano foram na região amazônica, registrando um aumento de fazendeiros e mineradores, com o bioma amazônico portando 49% das queimadas. O estado do Pará foi o pior afetado, com 229% de aumento em incêndios no último ano e teve dois de seus municípios como palco de grande devastação ambiental, devido ao Projeto de Belo Monte, sendo eles São Félix do Xingu e Altamira.

Adaptado de Sam Cowie para o The Guardian.
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Letícia Miranda
Baiana que adora jazz, blues, samba, escrita e que perde muito tempo assistindo filmes. Interessada em diversas áreas da ciência, com foco em neurociência, psicologia, biologia e literatura.

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