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As águas costeiras dos mares de quase todo o mundo apresentam, em boa parte de sua extensão, construções naturais repletas de vida marinha. Essas construções são os famosos e exuberantes recifes de coral, e têm atraído a atenção de muitas pessoas, sejam biólogos marinhos, oceanógrafos, educadores ambientais, entre diversos outros profissionais, além de pescadores, aventureiros e amadores. E não é por acaso… Os recifes de coral proporcionam um ambiente favorável ao abrigo de diversas espécies de organismos marinhos e são ambientes ideias para a reprodução e desenvolvimento de formas ainda imaturas de diversas espécies de peixes, crustáceos, cnidários, entre outros.

Entretanto, apesar da riqueza que abriga e de sua importância biológica, esses ecossistemas sofrem processos degradativos, seja por meio da interferência humana ou de processos naturais próprios do ambiente. O principal impacto negativo sofrido pelos recifes de coral, e comumente discutido nos dias atuais, é o processo de branqueamento (do inglês bleaching). E, para entendemos como ocorre o branqueamento dos corais, precisamos conhecer um pouco de sua ecologia.

As espécies de corais comumente mantêm uma relação de simbiose com microalgas fotossintetizantes, denominadas de zoochantelas. As microalgas vivem no interior dos tecidos dos corais construtores de recifes (corais hermatípicos), realizando fotossíntese e fornecendo aos corais compostos orgânicos nutritivos, além de estarem envolvidas na secreção de cálcio e formação do exoesqueleto dos corais. As zoochantelas suprem a maior parte das necessidades nutritivas dos corais. Por sua vez, as zoochantelas sobrevivem e crescem utilizando os produtos gerados pelo metabolismo dos corais, como gás carbônico, compostos nitrogenados e fósforo.

Para manter essa simbiose em equilíbrio, os recifes de coral precisam de condições ambientais favoráveis, como temperatura da água entre 25 °C e 30 °C, águas claras para o acesso suficiente à luminosidade do sol, necessário à fotossíntese das zoochantelas, além da ausência de poluição (esgoto doméstico, vazamento de petróleo) e estresses ambientais como a sedimentação, resultado do desmatamento e das movimentações de terra.

Quando esse equilíbrio sofre interferência, os recifes de coral começam a sofrer o processo de branqueamento, isto é, perda das zoochantelas, que também confere colocarão ao coral e, devido essa perda, o coral fica transparente, revelando seu esqueleto branco.

Como consequência da perda das zoochantelas, os corais perdem sua principal fonte de nutrientes (mais de 60% do carbono fixado na fotossíntese é translocado das algas para os corais na forma de glicerol); reduzem suas taxas de calcificação, interrompendo o crescimento das partes moles e do esqueleto do coral, tornando-o mais vulnerável a outros possíveis estresses como poluição, sedimentação excessiva, etc.

Apesar disso, as colônias branqueadas podem recuperar completamente, em poucos dias ou até mais de um ano, a coloração, dependendo da espécie e do grau branqueamento.  Assim como, dependendo da espécie, intensidade e duração do estresse ambiental, a morte de parte, ou de toda, colônia pode ocorrer logo em seguida ao branqueamento, ou mesmo algumas semanas ou meses depois.