De acordo com a neuroanatomia, o telencéfalo é dividido em dois hemisférios cerebrais: o esquerdo e o direito. Os dois são incompletamente separados pela fissura longitudinal, e unidos pelo corpo caloso, o qual possui aproximadamente 200 milhões de fibras comissurais. A principal função do corpo caloso é permitir a comunicação entre os dois hemisférios, transmitindo a memória e o aprendizado.

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É provável que você já tenha ouvido falar que o hemisfério esquerdo do cérebro controla o lado direito do corpo e vice-versa. A afirmação está correta, o cérebro possui uma característica organizacional peculiar, estímulos e respostas são “cruzados”. Apesar de ser correto afirmar que os circuitos cerebrais são cruzados, não é tão simples como se pensa, vamos ver isso de uma forma mais aprofundada no decorrer deste artigo.

Compreendendo os circuitos dessa maneira, torna-se fácil de entender que, p.ex., uma pessoa que apresenta dificuldades de sentir ou movimentar músculos do lado direito do corpo  —  a causa poderia ser um AVC (acidente vascular cerebral)  — , provavelmente sofreu uma lesão no hemisfério oposto, o esquerdo.

Em contrapartida, nos humanos o sistema visual é cruzado de modo mais complexo, pois possuem os olhos voltados para frente e, por conseguinte, é inevitável que eles vejam praticamente a mesma coisa, exceto nas extremidades do campo visual. Precisamos ter em mente que, informações duplicadas não podem ser enviadas para dois lugares diferentes. Para ver um objeto as informações sobre o mesmo devem ir para o mesmo lugar no encéfalo.

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Para solucionar esse “problema”, o cérebro divide o campo visual de cada olho em metade esquerda e direita. Então, as informações que cada olho recebe da metade esquerda de seu campo visual são enviadas para o lado direito do encéfalo e vice-versa. Portanto, constata-se que o sistema visual é cruzado, porém de uma forma mais complexa que os sistemas de outras partes do corpo¹.

Devido à essa disposição anatômica dos olhos, elucidada na imagem acima, lesões no nervo óptico causam padrões peculiares de perda de visão, por conta do longo e complexo trajeto até o lobo occipital. Uma condição que pode ser citada como exemplo é a hemianopsia: quando ocorre perda da visão de apenas uma metade do campo visual de ambos os olhos.

É visualmente notável que os hemisférios sejam simétricos, mas também são assimétricos. Vamos entender essa outra idiossincrasia que esta incrível máquina biológica nos proporciona.

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O hemisfério esquerdo e direito parecem imagens espelhadas um do outro, porém, possuem algumas características assimétricas, e elas são essenciais para algumas tarefas. Imagine se uma zona de linguagem existisse nos dois hemisférios e cada um fosse conectado a um dos lados da boca, nós seriamos capazes de falar de ambos os lados da boca ao mesmo tempo¹.

Outro exemplo de assimetria encontra-se presente no controle dos movimentos do corpo no espaço. Não seria interessante se o hemisfério esquerdo e direito tentassem, cada um, nos levar para um lado diferente.

Outro exemplo de assimetria encontra-se presente no controle dos movimentos do corpo no espaço. Não seria interessante se o hemisfério esquerdo e direito tentassem, cada um, nos levar para um lado diferente.

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Graças a essa organização assimétrica não temos esse problema, pois processos como linguagem e navegação espacial estão localizados em apenas um lado do encéfalo, ou seja, são controlados por uma única área encefálica. A linguagem apresenta-se no hemisfério esquerdo e a localização espacial no direito.

A organização assimétrica não é exclusiva dos humanos, curiosamente, o canto dos pássaros se localiza também no hemisfério esquerdo. Não se sabe ao certo o porquê, mas em muitas espécies o encéfalo possui essa organização simétrica e assimétrica.

Com informações de Princípios de Neurociências, Neurociência do comportamento e Sobre Deficiência Visual.