(Créditos da imagem: Reprodução).

Redes de pesca e falta de comida são os causadores por levar o número do animal marinho mais ameaçado do mundo para apenas 450. Os funcionários do governo federal dos Estados Unidos dizem que é hora de considerar a possibilidade de que as ameaçadas baleias francas possam ser extintas, a menos que novas medidas sejam tomadas para protegê-las.

As baleias-francas-do-atlântico-norte (Eubalaena glacialis) estão entre os mais raros mamíferos marinhos do mundo, e elas passam por um ano decisivo. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês) disse que restam apenas cerca de 450 dessas baleias e 17 delas morreram até à data em 2017. A mortandade de baleias francas deste ano foi chamado de “evento de mortalidade incomum” pela NOAA. Dezessete dessas criaturas ameaçadas foram encontradas mortas nas costas da Nova Inglaterra e do Canadá, e os biólogos marinhos em 5 de dezembro disseram que acreditam que a espécie pode ser extinta dentro de vinte anos se nenhuma ação oficial for adotada para salvá-las.

A situação é tão terrível que os reguladores americanos e canadenses precisam considerar a possibilidade de que a população não se recuperará sem ação em breve, disse John Bullard, o Administrador Regional do Nordeste da NOAA Fisheries. O alto índice de mortalidade deste ano coincide com um ano de reprodução fraca, e restam apenas cerca de cem fêmeas da raça baleias-francas-do-atlântico-norte.

“Você precisa usar a palavra de extinção, porque é aí que os gráficos de tendência dizem que elas estão”, disse Bullard. “Isso é algo que não podemos deixar acontecer”.

Em uma reunião da NOAA, Mark Murray-Brown, um consultor da legislação de espécies ameaçadas de extinção da NOAA, disse que as baleias francas têm diminuído em abundância desde 2010, sendo as fêmeas mais atingidas do que os machos.

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Os pesquisadores examinam uma baleia-franca-do-atlântico-norte morta no Golfo de São Lourenço, no Canadá. (Créditos da imagem: Reprodução/The Guardian).

“Os Estados Unidos e o Canadá devem trabalhar para reduzir as mortes de baleias causadas pelo ser humano”, disse Murray-Brown. “O status atual das baleias francas é uma situação crítica, e usar nossos recursos disponíveis para recuperar a espécie é de grande importância e alta urgência”, ele afirmou. Os ataques de embarcações e o emaranhamento em redes de pesca são duas causas mais citadas para as mortes das baleias francas.

Os animais dão à luz nas águas temperadas do sul e depois vão para a Nova Inglaterra e Canadá, em todas primaveras e verões para se alimentar. Todas as mortes deste ano estavam fora da Nova Inglaterra, uma região geográfica extraoficial dos Estados Unidos que engloba seis estados localizados na ponta nordeste do país (Maine, Vermont, New Hampshire, Massachusetts, Rhode Island e Connecticut) e do Canadá.

Alguns estudos científicos recentes esclarecem o motivo da morte das baleias francas. Um dos estudos, publicado na revista Nature Scientific Reports, afirmou que as baleias se movem muito mais do que se pensava anteriormente. Alguns cientistas postulam que as baleias podem estar se aventurando fora das áreas protegidas em busca de alimentos, colocando-se em perigo.

Em outro estudo, publicado no mês passado no periódico Endangered Species Research, os cientistas examinaram as fezes de baleias francas e descobriram que as baleias que ficam enroscadas em equipamentos de pesca por longos períodos produzem níveis hormonais que indicam alto estresse. O estresse afeta negativamente a capacidade de reprodução delas, mesmo quando elas sobrevivem a essa situação, relataram os cientistas.

“Meus colegas estão tentando encontrar soluções de modo que possamos descobrir como continuar a pescar, mas não sem que baleias se enrosquem”, disse um dos coautores do estudo, Elizabeth Burgess, cientista associada do Anderson Cabot Center for Ocean Life do New England Aquarium, em Boston.

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Uma revisão da NOAA de cinco anos sobre as baleias francas que foi lançada em outubro concluiu que os animais devem permanecer na lista de espécies ameaçada de extinção. O estudo também incluiu recomendações para proteger a espécie. Os autores incluíram o desenvolvimento de um plano de longo prazo para monitorar as tendências da população e o uso do habitat, além de estudar o impacto da pesca comercial nas baleias francas.

Referências:

  1. DAVIS, Genevieve E. et al. “Long-term passive acoustic recordings track the changing distribution of North Atlantic right whales (Eubalaena glacialis) from 2004 to 2014”; Nature Scientific Reports. Acesso em: 21 dez. 2017.
  2. ROLLAND, Rosalind M. et al. “Fecal glucocorticoids and anthropogenic injury and mortality in North Atlantic right whales Eubalaena glacialis”; Endangered Species Research. Acesso em: 21 dez. 2017.
  3. Phys.org. “Officials: Right whales, after deadly year, could become extinct”. Acesso em: 21 dez. 2017.
  4. Quartz. “There are only 450 North Atlantic right whales left and 17 died in 2017”. Acesso em: 21 dez. 2017.
  5. The Guardian. “North Atlantic right whales on the brink of extinction, officials say”. Acesso em: 21 dez. 2017.
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Mestrando em Estudos Ambientais pela UCES, Buenos Aires. Graduado em Engenharia Civil e pós-graduado em Gestão Pública e Controladoria Governamental. Com interesse por ciência, tecnologia, filosofia, desenvolvimento sustentável e diversas outras áreas do conhecimento humano.

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