A vida pode migrar entre planetas próximos através de rocha espacial. (Créditos da imagem: NASA/JPL-Caltech).

Já se sabia que bactérias podem sobreviver anos no espaço, através de estudos anteriores. Entretanto, novos estudos nos trazem mais detalhes de como essa aventura pode ocorrer.

Saber desses pontos pode trazer luz às hipóteses de como a vida pode se espalhar pelo Universo, ideia chamada de panspermia. Além, é claro, de nos ajudar com formas de proteção para os astronautas, que infelizmente não são resistentes como as bactérias, e não suportam o espaço sem proteção.

A vida poderia se espalhar pelos planetas através de rochas espaciais. Aqui na Terra, por exemplo, possuímos diversos detritos vindos de Marte. Portanto, seria possível que a vida tivesse vindo de lá, ainda na fase microscópica.

Em 2010, um estudo publicado no periódico Microbiology and Molecular Biology Reviews levou bactérias para a ISS. Lá, elas suportaram viver por seis anos. Sem muitos outros detalhes, entretanto.

Um artigo, publicado na Frontiers in Microbiology na última quarta-feira (26), descreve, agora, um novo estudo que analisa um pouco mais a fundo os efeitos do espaço nessas bactérias totalmente expostas.

A missão chama-se “Tanpopo” (do japonês, significa “dente de leão”). No total, foram três anos de exposição, e o foco é exatamente a geração de conhecimento para o campo da astrobiologia.

Os pesquisadores utilizaram bactérias do gêneros Deinococcus, que são conhecidas exatamente pela sua resistência ao vácuo e à radiação, ou quaisquer outros ambientes hostis.

Uma das Deinococcus mais resistentes é Deinococcus radiodurans, que significa literalmente grão terrível sobrevivente à radiação. Deinococcus, do grego, deinos e kokkos, traduzindo, “gão terrível”. O nome da espécie, radiodurans, por sua vez, vem do latim, radius e durare, “sobrevivente à radiação”.

A bactéria Deinococcus radiodurans. (Créditos da imagem: Laboratório de Michael Daly/Uniformed Services University).

Bactérias astronautas

As bactérias que estavam em áreas mais externas simplesmente não resistiram. Entretanto, elas estavam agrupadas, e as que estavam abaixo da casca de apenas meio milímetro já foram capazes de sobreviver.

Vamos fazer um rápido experimento. Pegue sua régua e veja o quão pequeno é meio milímetro. Sim, somente essa proteção já foi o suficiente para que as bactérias sobrevivessem às agressões cósmicas.

Um grande ponto de diferença, entretanto, é que aquele estudo anteriormente citado, de 2010, deixou as bactérias da espécie Bacillus subtilis apenas dentro da ISS, sem as expor ao espaço direto.

Nesse novo estudo, entretanto, a nova equipe expôs ao espaço, mas também deixou outro grupo dentro da ISS. Eles dizem que dentro de uma nave, as bactérias podem sobreviver entre 15 e 45 anos anos no espaço, além de alguns anos do lado externo.

“Os resultados sugerem que o Deinococcus radiorresistente pode sobreviver durante a viagem da Terra a Marte e vice-versa, o que leva vários meses ou anos na órbita mais curta”, disse em um comunicado o Dr. Akihiko Yamagishi.

“A origem da vida na Terra é o maior mistério do ser humano. Os cientistas podem ter pontos de vista totalmente diferentes sobre o assunto”, disse o Dr. Yamagishi. Ele foi o autor principal do estudo.

“Alguns acham que a vida é muito rara e aconteceu apenas uma vez no Universo, enquanto outros acham que a vida pode acontecer em cada planeta adequado. Se a panspermia for possível, a vida deve existir com muito mais frequência do que pensávamos anteriormente”, completa.

O estudo foi publicado na publicado na Frontiers in MicrobiologyCom informações de Science Alert e Eureka Alert.

Este texto foi originalmente publicado por SoCientífica. Leia o original aqui.