O UNSW-EC0, um satélite construído na Universidade de New South Wales, na Austrália, teve que pegar uma carona para o espaço em um foguete dos EUA em 2017. (Créditos da imagem: University of New South Wales).

A Austrália deve anunciar a primeira agência espacial do país. Embora a ênfase esteja aparentemente na utilização comercial do espaço, os pesquisadores esperam que também haja esforços puramente científicos.

O governo planeja fornecer AU$ 38 milhões em “capital semente” para colocar a agência em funcionamento, informou a mídia australiana hoje. As autoridades devem anunciar formalmente a mudança em 8 de maio.

A geóloga Megan Clark vai liderar a nova agência, de acordo com relatórios. Ela foi ex-presidente executiva da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth da Austrália, em Canberra, a rede de laboratórios do país. Ela também liderou um painel de especialistas que o governo criou no ano passado para explorar a ideia de estabelecer uma agência espacial.

Os pesquisadores estão aplaudindo a escolha. Clark “pode ser confiável para colocar a agência na direção certa”, disse Anna Moore, astrônoma da Universidade Nacional Australiana (ANU), em Canberra.

Apesar do modesto financiamento e ênfase na tecnologia aplicada, a decisão de estabelecer a agência “é um importante marco para a indústria e ciência australianas”, disse Peter Quinn, astrônomo e diretor executivo do Centro Internacional para Pesquisa em Radioastronomia, um instituto conjunto da Curtin University e da University of Western Australia, ambos em Perth.

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Os entusiastas do espaço pediram que a Austrália estabelecesse sua própria agência espacial no passado. No entanto, a ideia só ganhou impulso em julho de 2017, quando o governo criou um grupo de especialistas para avaliar as capacidades da indústria espacial do país. O grupo foi encarregado de desenvolver “um plano de longo prazo para crescer esse importante e excitante setor”. Os especialistas entregaram o relatório no final de março, que ainda não foi divulgado. “Acredito que o objetivo principal é desenvolver a indústria espacial na Austrália, mas considero que haverá, potencialmente, um componente científico”, disse Matthew Colless, astrofísico da ANU.

Colless observa que já existe alguma ciência espacial sendo feita na Austrália. As equipes projetaram e construíram pequenos satélites para estudos que vão desde a observação da Terra até a astrofísica, mas outros países lançaram a espaçonave. A comunidade espera que uma agência espacial em crescimento “nos permita melhorar nossos satélites”, disse Colless. Ele acrescenta que ter uma agência espacial nacional também pode abrir as portas para a participação oficial em missões internacionais maiores.

A agência também pode ajudar a impulsionar os esforços de educação científica, diz Moore. Um programa espacial australiano mais ativo, ela observa, poderia “inspirar a nação, especialmente as crianças pequenas”.

Adaptado de Dennis Normile para a Science.
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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 17 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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