(Créditos da imagem: James Josephides).

A matéria escura é a substância hipotética que envolve as galáxias e supera em quantidade a matéria normal no universo. Não podemos observá-la diretamente porque ela não interage com a luz, mas podemos medir seus efeitos gravitacionais, que é como a “vemos”, especialmente olhando para o movimento de galáxias e aglomerados de galáxias.

De Alfredo Carpineti para o IFLScience.

Os pesquisadores relataram uma nova abordagem que melhora a forma como estimamos, ou “vemos”, a presença de matéria escura. Conforme relatado nos Avisos Mensais da Royal Astronomical Society, este método usa as famosas lentes gravitacionais. A gravidade de objetos massivos distorce o espaço-tempo de tal forma que qualquer fonte de luz distante atrás dela parece ao observador como se fosse uma lente ótica.

O efeito usado neste estudo específico é conhecido como lente gravitacional fraca. Nesse caso, a forma e o tamanho das galáxias distantes são apenas um pouco alterados. “A matéria escura distorce levemente a imagem de qualquer coisa por trás dela”, explicou o professor associado Edward Taylor em um comunicado.

“É como olhar para uma bandeira para tentar saber quanto vento existe. Você não pode ver o vento, mas o movimento da bandeira mostra a força do vento”, acrescentou o autor principal Pol Gurri, um pesquisador graduado da Swinburne University of Technology.

LEIA TAMBÉM: Nova teoria propõe que a massa dos fótons pode explicar os efeitos da matéria escura

A equipe deu um passo além do padrão de lentes gravitacionais fracas. A nova abordagem usou o Telescópio ANU 2.3m na Austrália para medir a velocidade de rotação de galáxias com lentes gravitacionais. Isso fornece uma visão ainda mais precisa da distorção, permitindo que a equipe trabalhe com uma estimativa mais refinada de quanta matéria escura deve estar presente no primeiro plano para criar o efeito de lente gravitacional.

“Porque sabemos como as estrelas e o gás devem se mover dentro das galáxias, sabemos mais ou menos como essa galáxia deve se parecer. Ao medir a distorção das imagens reais da galáxia, podemos descobrir quanta matéria escura seria necessária para explicar o que vemos”, disse Gurri. “Com nossa nova maneira de ver a matéria escura, esperamos obter uma imagem mais clara de onde está a matéria escura e que papel ela desempenha na forma como as galáxias se formam”, concluiu.

Espera-se que missões futuras, como o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA e o Telescópio Espacial Euclid da ESA, realizem essas observações para centenas de milhões de galáxias. E detectar essas mudanças requer observações de alta precisão, mas leva a mapas muito detalhados da matéria escura!