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Não, o Sars-CoV-2 não é um vírus alienígena enviado por extraterrestres para exterminar a humanidade, por mais legal que seja essa hipótese. Mas isso não impede, entretanto, que os astrobiólogos possam ser úteis na corrida pela tão aclamada cura da covid-19.

Recentemente a NASA anunciou que alguns dos cientistas do Programa de Astrobiologia da agência estavam focando seus esforços em pesquisas com relação à doença. A ideia é criar um intercâmbio de ideias, e trazer mentes com ideias diferentes para agregar.

A astrobiologia é um ramo da ciência que engloba, como o próprio nome sugere, a astronomia e a biologia. Eles estudam campos como o surgimento de vida pelo espaço, as condições e possibilidades desse evento, a própria vida na terra dessa perspectiva, e outros campos relacionados a materiais orgânicos e espaço.

No centro da equipe está a cientista Rachel Martin, principal pesquisadora do programa Exobiology, da NASA, que estuda microrganismos extremófilos na Terra – organismo que sobrevivem em condições extremas. Esse campo é bastante útil na busca de vida pelo espaço.

Encélado e Titã, por exemplo, são duas luas de Saturno onde a possível existência de vida é algo promissor, já que possui oceanos. Eles são extremamente gelados, entretanto, mas uma fonte de calor de atividade vulcânica ou radiação pode servir – e o estudo de ambientes parecidos pela Terra pode ser útil nesse sentido.

“Se houver água líquida em Encélado ou em outros lugares do Sistema Solar externo, qualquer vida existente em ambientes muito frios. Queremos entender como suas proteases podem funcionar”, diz Martin em uma reportagem da NASA Astrobiology.

A palavra ‘protease’, que ela se refere na frase, basicamente representa uma classe de enzimas que possuem alguns papéis importantes nos mecanismos fisiológicos de um ser humano, como quebrar ligações de aminoácidos, que serão utilizados futuramente na construção de proteínas.

As proteínas, por sua vez, como todos sabemos, são os ‘tijolos’ do corpo humano, além de possuir outros diversos papéis em diversos tipos de atividades celulares pelo corpo. Cada proteína é produzida com uma cadeia de aminoácidos.

E o que tem a ver os micróbios espaciais com o coronavírus?

O primeiro ponto, e o mais importante, já citado no início do texto, é a inserção de novos pontos de vistas. Se todas as mentes da área já estão testando suas ideias, por quê não intercambiar a fim de pessoas de campos diferentes, mas ligeiramente parecidos contribuírem?

E há precedentes. Muitos métodos e tecnologias utilizados em áreas relacionadas à biologia foram inseridas no campo quando físicos passaram a pesquisar na biologia, por exemplo, relacionado às áreas da física nuclear aplicada à biologia, no pós-Segunda Guerra.

Conforme conta Richard Feynman em seu livro “Só pode ser brincadeira, Sr. Feynman!”, certa vez ele resolveu se aventurar pelo mundo da biologia, e lá passou alguns meses. O grupo no qual ele participou ganhou um nobel, pouco tempo depois de ele já ter saído.

Se você não o conhece, Feynman foi um dos mais famosos físicos. Ele trouxe grandes contribuições para a física quântica, além de inovações e ensinamentos para o ensino universitário de física. O ponto é: misturar campos é algo extremamente positivo e saudável. 

E isso é algo que felizmente a professora Martin possui em mente. “Pareceu uma pena não fazer nada quando temos habilidades relevantes”, disse.

No processo o qual o vírus te infecta, diversas proteínas estão agindo. É, inclusive por meio de algumas proteínas que o vírus “hackeia” o sistema de defesa das células. E, como vimos, proteínas e aminoácidos estão na área de pesquisa de Martin, através das proteases. [NASA Astrobiology]

Bom, fica aí o ensinamento: a separação das áreas não é algo ideal. Evite separar humanas, exatas e biológicas, pois todos podem contribuir entre si. Utilize esses termos apenas como uma classificação das grande áreas, e não como a separação entre terrenos alienígenas que devem se evitar.