As plantas não precisam do cérebro ou da consciência que os animais têm, dizem os pesquisadores. (Créditos da imagem: Funky-Data/E+/Getty Images).

Lincoln Taiz está irritado. Ao longo da última década, o biólogo vegetal aposentado observou a ascensão do campo da “neurobiologia das plantas” com crescente desalento.

Esse campo controverso, que estreou em um artigo de 2006 na Trends in Plant Science, baseia-se na ideia de que as plantas — que não possuem cérebros — ainda lidam com informações de maneiras que se assemelham a sistemas nervosos de animais sofisticados. Esse pensamento implica que as plantas podem sentir felicidade, tristeza ou dor, tomar decisões intencionais e até mesmo possuir consciência. Mas as chances disso são “efetivamente nulas”, escrevem Taiz e seus colegas em um artigo de opinião publicado em 1 de agosto.

“Não há nada na planta remotamente comparável à complexidade do cérebro animal”, disse Taiz, da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz. “Nada. E eu sou uma bióloga de plantas. Eu amo plantas — não porque as plantas pensam como seres humanos, mas por como elas vivem suas vidas vegetais.”

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Algumas plantas possuem comportamento sofisticado. Folhas feridas podem enviar sinais de alerta para outras partes da planta, e substâncias químicas nocivas podem deter os predadores. Algumas plantas podem até ter uma versão de memória de curto prazo. Mas as plantas executam essas proezas com “equipamentos” que são muito diferentes dos sistemas nervosos dos animais, sem necessidade de cérebro, afirma Taiz.

Ele e colegas apontam falhas metodológicas em alguns dos estudos que afirmam que as plantas têm centros de comando parecidos com o cérebro, células nervosas semelhantes a animais e padrões oscilantes de eletricidade que lembram a atividade em cérebros de animais. Mas além do debate sobre como esses estudos são conduzidos, a equipe de Taiz argumenta que a consciência das plantas não faz sentido do ponto de vista evolucionário.

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Cérebros de animais sofisticados evoluíram em parte para ajudar um organismo a conseguir uma refeição e evitar tornar-se uma, disse Taiz. Mas as plantas estão enraizadas no solo e contam com a energia solar, um estilo de vida que não requer raciocínio rápido ou que supera um predador.

“Qual seria o uso da consciência para uma planta?”, pergunta Taiz. A energia necessária para alimentar a conscientização seria muito dispendiosa, e o benefício de tal percepção muito pequena. Se uma planta se queixasse e sofresse diante de uma ameaça, estaria desperdiçando tanta energia que não teria mais nada a fazer com relação a essa ameaça, disse Taiz.

Imagine um incêndio florestal. “É insuportável considerar a ideia de que as plantas seriam seres sencientes e conscientes, cientes do fato de que estão sendo queimadas até as cinzas, observando suas mudas morrerem na frente delas”, disse Taiz. O cenário horripilante ilustra “o que realmente custaria uma planta ter consciência”.

Além disso, as plantas têm muito o que fazer sem ter que ser consciente. Com a luz do Sol, o dióxido de carbono e a água, as plantas criam os compostos que sustentam grande parte do resto da vida na Terra, aponta Taiz. “Não é suficiente?” [ScienceNews].

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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 18 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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