Pesquisadores encontram ilhas artificiais construídas por povos indígenas na região amazônica. (Créditos da imagem: Divulgação).

Datam de antes da chegada dos europeus às Américas as 20 ilhas descobertas recentemente por arqueólogos do Instituto Mamirauá, na Amazônia. Tal fato já era de conhecimento dos Ribeirinhos locais, que as chamam de “Aterrados”.

A descoberta é a confirmação do que existia na literatura científica e histórica do século XVI, quando pesquisadores europeus andaram através dos rios relatando o Novo Mundo.

Apesar de os indígenas serem visto como “selvagens que viviam no meio do mato”, as construções são grandes e complexas, o que mostra que o nível de organização deles era extremamente alto. As ilhas medem entre 1 e 3 hectares (10 e 30 mil metros quadrados), e chegam a ter 7 metros de altura.

Alguns fragmentos de cerâmica são do grupo Tupi, o que mostra que as ilhas, em algum momento recente, entre os séculos XV e XVI, foram habitadas pelos omáguas, tronco tupi. No entanto, outros fragmentos encontrados nas ilhas nos mostram o quão antigas elas podem ser: cerâmicas Hachurada Zonada, a mais antiga tradição cerâmica da Bacia Amazônica, datam de cerca de mil anos antes de Cristo.

Os arqueólogos ainda notaram a complexa relação dos “aterrados” e as “cavadas” com a dinâmica de enchentes e a distribuição das espécies animais na região. Os locais das ilhas, e de onde a terra para a construção foi retirada, foram escolhidos “a dedo” portanto.

O  Grupo de Pesquisa em Arqueologia e Gestão do Patrimônio Cultural da Amazônia ainda pretende dar continuidade às pesquisas, mas relatam a carência de recursos e a falta de interesse por parte do restante da sociedade. “É como se fossem pirâmides, mas construções de terra, não por isso menos importante. São também complexas e indicam um padrão de ocupação humana amplamente distribuída nas regiões do médio-alto Solimões”, disseram ao Instituto Mamirauá. [Instituto Mamirauá e Revista Galileu].

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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pela divulgação científica. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente curso Física na UFScar e escrevo para o Ciencianautas.