(Créditos da imagem: Reuters).

O desmatamento na Amazônia em novembro aumentou 104% em comparação com o mesmo mês de 2018, segundo dados oficiais divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Isso é considerado um aumento significativo, principalmente durante a estação chuvosa, quando o desmatamento geralmente diminui. Nos primeiros 11 meses do ano — também os primeiros meses de Jair Bolsonaro, líder de extrema direita que diminuiu as restrições à exploração das vastas riquezas da Amazônia — o desmatamento totalizou 8.974,3 quilômetros quadrados.

Isso é quase o dobro dos 4.878,7 quilômetros quadrados relatados nos primeiros 11 meses de 2018. Os dados foram coletados pelo sistema DETER, baseado em satélite, que monitora o desmatamento em tempo real.

O PRODES, outro sistema baseado em satélite usado pelo Inpe, que leva mais tempo para compilar os dados, mas produz resultados mais confiáveis, apontou no final de novembro que nos 12 meses a partir de agosto de 2018, o desmatamento da Amazônia havia ultrapassado o limite de 10 mil quilômetros quadrados pela primeira vez desde 2008. Isso representa um aumento de 43% em relação ao último ano.

Área perdida nos últimos 12 anos. (Fonte: INPE).

O desmatamento nas áreas indígenas aumentou ainda mais: 74,5% em relação ao período anterior, informou o Inpe. No geral, o PRODES mostrou que a Amazônia perdeu 10.100 quilômetros quadrados nos últimos 12 meses.

(Fonte: INPE).

Na última sexta-feira, Ricardo Galvão, ex-presidente do Inpe, foi nomeado um dos 10 cientistas mais importantes do ano pela respeitada revista britânica Nature. No início de agosto, Galvão foi demitido pelo governo Bolsonaro, que o acusou de exagerar na extensão do desmatamento. [Phys.org].