Crocodilos e jacarés são frequentemente associados aos dinossauros, ainda que as aves sejam mais próximas dos gigantes do passado do que os crocodilianos. Apesar de parecerem congelados no tempo, contudo, os crocodilos estão evoluindo a taxas incrivelmente rápidas, mostra uma pesquisa inovadora na área.

Continua após a publicidade

De acordo com o novo artigo, publicado no periódico Proceedings of the Royal Society B, a maioria dos estudos sobre a evolução dos crocodilos se baseia nos crânios. Isso faz bastante sentido, uma vez que o formato do crânio pode fornecer informações sobre alimentação e hábitat, por exemplo.

A equipe, no entanto, buscou inovar em suas análises. Acontece que a maioria dos estudos até então analisaram os crânios de crocodilianos (crocodilos, jacarés e gaviais, por exemplo) em apenas duas dimensões, numa visão dorsal.

Segundo a equipe, este tipo de análise fornece informações importantes, de fato, sobre como os crocodilos estão evoluindo. Uma análise tridimensional, contudo, seria muito mais profunda e adequada para entender melhor a mudanças dos crânios de crocodilianos.

Continua após a publicidade

Assim os autores se utilizaram de análises e exames tridimensionais para compor a pesquisa. Os resultados mostram, primeiramente, que a perspectiva 3D de fato pode fornecer mais informações sobre a vida do bicho, uma vez que os detalhes e nuances são mais evidentes.

Em segundo lugar, e ainda mais impressionante, a pesquisa sugere que os crocodilianos não estão tão “parados no tempo” quanto se imaginava. Na verdade, esse grupo de animais tem evoluído de forma rápida e diversa, principalmente nos últimos dois milhões de anos.

Convergência evolutiva: como os crocodilos estão evoluindo tão rápido

Os crocodilianos estão no planeta desde pelo menos 235 milhões de anos. Por todo esse tempo, eles de fato conservaram muitas características e muitas espécies acabaram se extinguindo.

Continua após a publicidade

Alguns dos gêneros mais incríveis de crocodilos, como os Deinosuchus e Purussaurus podiam passar dos 10 metros de comprimento e 8 toneladas. Boa parte deles, inclusive, viveu no Brasil e algumas espécies antigas até caçavam dinossauros.

Porém, a pesquisa indica que na verdade estes animais estão mudando bastante, mas acabando com os crânios semelhantes pelo fenômeno de convergência evolutiva. Isso acontece quando dois animais não aparentados desenvolvem características parecidas, como as asas de morcegos e aves, ou barbatanas de golfinhos e tubarões.

Acontece que, devido à pressão do ambiente (hábitat e disponibilidade de presas, por exemplo) os crocodilianos acabam com três tipos de crânio, quase sempre. O primeiro é o dos gaviais, com um focinho fino e lotado de dentes, para caçar principalmente peixes.

Continua após a publicidade

Já os crocodilos têm bocas mais fortes e finas, com dentes super-resistentes e expostos, com o objetivo de caçar animais maiores — como gnus e antílopes. Já os jacarés têm bocas mais arredondadas e amplas, com caças no meio-termo das duas anteriores.

Ou seja, animais anteriormente classificados como parentes próximos pelo formato 2D de seus focinhos podem ser na verdade parentes muito distantes. Isso porque a convergência faz com que eles tenham formatos parecidos no crânio, ainda que estejam evoluindo rapidamente e se diversificando.

A pesquisa está disponível no periódico Proceedings of the Royal Society B.
Publicado originalmente por SoCientíficaLeia o original aqui.