Corais da Grande Barreira de Corais, Austrália. (Créditos da imagem: Freepik Premium).

A quarentena mundial diminuiu a assustadoramente o fluxo de pessoas e automóveis nas metrópoles e pontos turísticos, o que levou, rapidamente, a momentaneamente desaparecer algumas das características causadas pelo ser humano: o himalaia ficou visível a partir da Índia novamente, após décadas de poluição atmosférica o cobrindo; a redução da poluição na Itália e na China foi notável por satélites; o mesmo ocorreu em São Paulo, maior metrópole do Brasil. Esse fato gerou na mídia e nos internautas, um grande otimismo, frente ao assustador momento que vivemos. 

Infelizmente, entretanto, não há tantos motivos para otimismo, já que: primeiro, sabemos que após vencermos a crise do coronavírus, a indústria voltará ao normal, se não em um nível pior, para recuperar o “tempo perdido”; o desenvolvimento sustentável sofre bastante resistência por parte dos empresários e políticos, principalmente os mais velhos, com outra mente. O segundo ponto é que a poluição não diminuiu tanto assim. A Terra demora de se recuperar do estrago do homem. 

É linda a famosa Grande Barreira de Corais, formada por quase 3000 recifes e abrange 900 ilhas. Com seus 2.300 km de extensão, é tão grande que, como a maior estrutura já construída e formada por seres vivos, pode ser vista do espaço. Além da beleza, recifes de corais possuem uma enorme importância na biodiversidade marinha. A forma como um recife de coral funciona é incrível; um verdadeiro positivismo. Cada espécie que lá habita, tem uma função; são como máquinas, ou órgãos, integrando um organismo só. Pense num corpo humano; cada célula constitui um órgão, e cada órgão tem sua função, para algo maior, que funciona como um todo.

A Grande Barreira de Corais abriga mais de 1500 espécies de peixes, mais de 130 espécies de tubarões e raias, das sete espécies de tartarugas marinhas existente no mundo, seis vão até o local para se reproduzir e mais de 30 espécies de mamíferos marinhos, incluindo baleias e o estranho dugongo, ameaçado de extinção.

No momento, a barreira sofre o terceiro branqueamento em massa dentro de apenas cinco anos. Os últimos foram 2016, que foi causado pelo El Niño, assim como 1998. 2017 foi outro ano em que o verão castigou os corais. O pior problema é que, conforme o tempo passa, cada vez mais os intervalos entre cada branqueamento em massa diminuem, e não há tempo dos corais se recuperarem. Alguns locais chegam apresentar uma temperatura de até 3°C acima da média, e corais não são bons em resistir a grandes variações de temperatura em intervalos muito curtos. 

A Grande Barreira de Corais é um dos patrimônios da humanidade, e o WWF, Fundo Mundial para a Natureza, em português, junto com outras organizações, vem tentando minimizar essas ameaças. Como vemos, é uma missão extremamente difícil.

Não precisamos ir tão longe, no entanto, para ver a difícil situação da natureza. É temido o avanço dos grileiros em meio à zonas de conservação. E aparentemente, eles aproveitam da comoção do coronavírus para aumentar suas ações criminosas.

Olivaldi Azevedo, até poucos dias diretor do Ibama, foi demitido pelo governo federal, bem no momento em que fiscais destruíram dezenas de equipamentos dos criminosos. A atitude foi tão suspeita que o Ministério Público Federal abriu uma investigação contra o ministro do meio ambiente, Ricardo Salles.

A maior preocupação decorrente do fato é quanto ao sobrecarregamento do sistema de saúde da região, pois muitos locais são de difícil acesso, dificultando o abastecimento de medicamentos e equipamentos, além de contar com quantidades de leitos e equipamentos muito abaixo da média. Esse sobrecarregamento pode ser pelas queimadas, mas a preocupação maior é com os indígenas. Muitas tribos ainda vivem isoladas, mas os grileiros estão se aproximando dessas reservas.

No entanto, além das preocupações de saúde, mostra o quão longe de manter uma exploração saudável da Amazônia estamos. De setembro de 2019 até 12 de março de 2020, foram mais de 16 mil alertas de desmatamento em 3.282,89 km² de floresta. A diminuição da agressão à natureza está sendo de fato notável apenas nas metrópoles principalmente pela redução no fluxo de automóveis; nos locais mais remotos, no entanto, a preocupação deve continuar.

Referências:

  1. Australian Academy of Science. “Biodiversity of the Great Barrier Reef”. Acesso em: 22 abr. 2020.
  2. G1. “Entidades temem avanço de grileiros em terras indígenas e disseminação de coronavírus”. Acesso em: 22 abr. 2020.
  3. SANTOS, Carol. AGUIAR, Danicley. “Grileiros, madeireiros e garimpeiros não fazem home office”. Uol; Ecoa. Acesso em: 22 abr. 2020.
  4. Time. “Bleaching on the Great Barrier Reef Now More Widespread Than Ever, Scientists Say”. Acesso em: 22 abr. 2020.
  5. WWF. “Australia’s Great Barrier Reef under Threat”. Acesso em: 22 abr. 2020.