A Estrela Polar está alinhada com o eixo de rotação da Terra no Hemisfério Norte. Por isso, todas as outras estrelas aparentam girar em volta dela.

Durante séculos, a estrela Polar (também conhecida como Polaris) é usada como um meio de orientação e localização, e sua fama não é à toa, pois trata-se da estrela mais brilhante da constelação da Ursa Menor. Ainda assim, os astrônomos estão com dificuldade de determinar a distância e o tamanho do astro.

A estrela é da classe das cefeidas, isto é, ela é uma gigante amarela, mais massiva e mais brilhante que o Sol com um brilho pulsante regular quanto ao diâmetro. Polaris é a cefeida mais próxima da Terra e faz parte de um sistema binário, tem uma irmã mais fraca chamada Polaris B, que pode ser observada da Terra.

Polaris vista pelo Telescópio Hubble. (Créditos da imagem: NASA/HST).

De acordo com os autores de um novo estudo, “a medida que aprendemos mais, fica claro que entendemos menos” sobre o astro. O problema? Os astrônomos não chegaram a um consenso quanto as medidas de tamanho e distância dela.

Existem vários métodos para determinação de massa, idade e distância de estrelas como Polaris. Uma delas é o modelo de evolução estelar. Os especialistas estudam o brilho, a cor e a taxa de pulsação da estrela e usa esses dados para descobrir quão grande e brilhante ela é e em que estágio da vida ela se encontra. Depois que esses detalhes são resolvidos, fica fácil descobrir a que distância a estrela está.

Os modelos são bastante precisos nos estudos das cefeidas, pois sua taxa de pulsação está diretamente ligada à sua luminosidade. Por isso as cefeidas são usadas como “farol cósmico” para medir as distâncias no Cosmos e a taxa de expansão do Universo. Contudo, as outras alternativas de estudo não são coerentes com os resultados da evolução estelar.

Das muitas alternativas de medição uma é relacionada a sua companheira, Polaris B. Os especialistas não a detalharam totalmente, mas conhecem bem sua órbita. Ela leva 26 anos terrestres para dar uma volta na sua irmã, e com isso os astrônomos usam as leis da gravitação de Newton para medição de massa e distância.

Além disso, há outro fato incomum. Como são de um sistema binário, ambas devem ter a mesma idade, mas as observações indicam que Polaris B é mais velha que sua irmã. Hilding R. Neilson e Haley Blinn, autores do novo estudo, geraram um grande conjunto de modelos da Polaris para ver se eles poderiam conciliar todos os dados conhecidos sobre o sistema. A resposta foi “não”, não é possível conciliar.

Essas descobertas levaram Neilson e Blinn a outra explicação mais estranha: talvez a estrela principal do sistema Polaris já tenha sido duas estrelas e elas se chocaram há vários milhões de anos. Tal colisão binária, disse Neilson, pode rejuvenescer estrelas, puxando material extra e fazendo com que as estrelas pareçam “simplesmente atravessar a fonte da juventude”.

Estrelas que resultam de colisões binárias não se encaixam perfeitamente nos modelos de evolução estelar, e esse evento pode explicar a discrepância encontrada com Polaris.

“Este seria um cenário improvável, mas não impossível”, ressaltaram os pesquisadores.

Até agora, nenhuma das soluções é totalmente satisfatória.

“É um desafio tirar conclusões significativas além do fato de que Polaris continua sendo um mistério duradouro, e quanto mais medimos, menos parecemos entender”, finalizaram Neilson e Blinn. [LiveScience].