(Créditos da imagem: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute).

Há alguns anos, os cientistas descobriram que o planeta Saturno possui uma tempestade hexagonal bizarra em seu polo norte. Entretanto, em um novo estudo publicado na Nature Communications, os pesquisadores relatam que ela é ainda mais estranha do que imaginávamos.

A equipe, liderada por Leigh Fletcher, da Universidade de Leicester, no Reino Unido, usou dados obtidos pela sonda Cassini para estudar o Hemisfério Norte de Saturno. Eles descobriram que um vórtice gigante fica acima da tempestade hexagonal — e que ele também está em forma de hexágono.

“As bordas desse vórtice recém-descoberto parecem ser hexagonais, combinando precisamente com o famoso e bizarro padrão de nuvens hexagonais que vemos mais profundamente na atmosfera de Saturno”, disse Fletcher em um comunicado à imprensa.

Publicidade

O vórtice fica a cerca de 290 quilômetros acima das nuvens de Saturno, na estratosfera. O vórtice foi observador durante a missão Cassini em 2014, quando o Hemisfério Norte entrou em seu verão; um vórtice similar (mas não hexagonal) já havia sido observado ao decorrer do verão do Hemisfério Sul.

Os cientistas puderam ver esse vórtice no polo norte do planeta pela primeira vez com o Espectrômetro Infravermelho Composto (ou CIRS, sigla em inglês para Composite Infrared Spectrometer), à medida em que as temperaturas aumentaram. E, quando surgiu, eles começaram a ver como o vórtice se aproximava da famosa tempestade hexagonal do planeta.

Publicidade
Visão do novo hexágono a partir do CIRS. (Créditos da imagem: NASA/JPL-Caltech/University of Leicester/GSFC/ L. N. Fletcher et al. 2018).

“À medida que o vórtice polar se tornava cada vez mais visível, notamos que ele tinha bordas hexagonais e percebemos que estávamos vendo o hexágono pré-existente em altitudes muito mais altas do que se pensava anteriormente”, escreveu a coautora Sandrine Guerlet, do Laboratoire de Météorologie Dynamique, na França, em um comunicado.

Embora interessante, essa nova característica implica todo um conjunto de novos questionamentos. Antes de mais nada, embora haja algumas ideias, por que esses fluxos no polo norte de Saturno adquirem essa forma hexagonal? Não vemos tal formação em nenhum outro local, seja na Terra ou em outros planetas, então o que há de tão especial em Saturno?

Uma outra questão é se esse novo vórtice hexagonal é parte da tempestade abaixo dele, ou se ele está isolado no topo. Se for o caso dessa primeira opção estiver correta, isso significa que a estrutura toda tem centenas de quilômetros de altura. Embora isso pareça ser improvável, já que as condições do vento mudam muito em diferentes altitudes, um processo conhecido como “evanescence” pode significar padrões que podem ser mantidos ao longo da atmosfera.

O hexágono em toda sua glória. (Créditos da imagem: NASA/JPL-Caltech/SSI/Hampton University).

Infelizmente, as respostas para essas perguntas podem ser difíceis de encontrar. A missão da sonda Cassini chegou ao fim em setembro de 2017, e Fletcher observou que “é frustrante ter obtido essa informação apenas ao final da missão”.

O que está claro, no entanto, é que Saturno é muito diferente. A Cassini pode ter chegado ao seu fim, mas os pesquisadores ainda estão descobrindo coisas incríveis sobre o planeta graças aos dados da sonda.

Publicidade
Adaptado de Jonathan O`Callaghan para o IFLScience por Giovane Almeida e Diógenes Henrique.
Compartilhe:
Ciencianautas
O Ciencianautas tem como objetivo popularizar a ciência de forma que ela seja acessível para todos.

Deixe seu comentário!

Por favor, digite o seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui.