(Créditos da imagem: NASA).

A poeira lunar é pegajosa – muito pegajosa. Não é nada agradável limpá-la, pois gruda em absolutamente tudo. Isso ocorre por causa da energia estática. É aquele mesmo fenômeno que faz seus pelos arrepiarem próximos a brinquedos de plástico no Sol ou televisões de tubo. É extremamente difícil limpá-la com uma escova. Por que não utilizar, então, a tecnologia a nosso favor?

Em um estudo recente, publicado no periódico Acta Astronautica, um grupo de pesquisadores da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, descreve um feixe de elétrons para efetuar a limpeza dos trajes dos astronautas antes de retornar para a nave e tirá-lo.

Por que tanta preocupação com a poeira lunar?

A primeira questão é o fato de ela ser pegajosa. Conforme diz em um comunicado o pesquisador Xu Wang, do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial (LASP) da Universidade do Colorado e um dos coautores do estudo: “É realmente irritante. A poeira lunar adere a todos os tipos de superfícies — trajes espaciais, painéis solares, capacetes — e pode danificar equipamentos”.

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Além disso, a poeira lunar pode causar problemas de saúde nos astronautas. O astronauta Harrison Schmitt desenvolveu uma reação alérgica bastante forte à poeira lunar. Schmitt foi para a Lua na Apollo 17, em 1972. Ele a descreve como o cheiro parecido com o de pólvora gasta. “A poeira lunar é muito irregular e abrasiva, como cacos de vidro quebrados”, diz Wang

Amostra de rocha lunar coletada durante a Apollo 11, em 1969. (Créditos da imagem: NASA).

Durante as missões Apollo, os astronautas utilizavam escovas para limpar os trajes. No entanto, é fácil chutar que não era uma forma muito eficiente. Qual seria, portanto, a melhor saída para limpar partículas eletricamente carregadas se não anular a suas cargas elétricas? Elas grudam nos trajes pela diferença de polaridade. Então, para desgrudá-las, basta eliminar essa diferença.

Saída promissora

E é nessa ideia que entra o canhão de elétrons. “As cargas tornam-se tão grandes que se repelem e, em seguida, a poeira é ejetada da superfície”, explica Wang. Ao bombardear as partículas com elétrons, você cria um excesso de cargas negativas entre as partículas de poeira. Você deve ter estudado na escola que os pólos iguais se repelem. 

“Literalmente salta fora”, diz Benjamin Farr, o autor principal do experimento. Entretanto, a ferramenta ainda não está finalizada. 

Os pesquisadores foram até um “simulador lunar” da NASA. Nesse simulador, há uma areia fabricada para se parecer com a areia lunar, já que aqui na Terra há apenas pequenas amostras. Então, os pesquisadores testaram. Aderiram as partículas em uma superfície e testaram o seu canhão. Funcionou muito bem, mas não o suficiente para terminarmos”, explica Farr.

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O canhão de elétrons conseguiu remover, aproximadamente, entre 75 e 85% da poeira aderida nas superfícies. Entretanto, essa quantidade restante ainda é muito grande, e pode colocar a saúde dos astronautas em risco, além dos riscos de causar problemas em componentes eletrônicos essenciais da nave. 

Em 2024, a NASA lançará a missão Artemis, que levará os humanos de volta para a Lua. Os pesquisadores esperam, então, terminar o “chuveiro de elétrons” antes da viagem. Dessa forma,  a vida dos astronautas pode ser bastante facilitada. Você poderia simplesmente entrar em uma chuva de feixes de elétrons para remover a poeira fina”, diz o co-autor Mihály Horányi.

O estudo foi publicado no periódico Acta Astronautica. Com informações da University of Colorado Boulder.