(Créditos da imagem: Pixabay).

O mundo está conectado. A internet encurtou distâncias e deixou a interação entre as pessoas e as instituições gerais muito mais ágeis, e caminha para algo maior ainda. Muito impressionante, correto?

Agora imagine um mundo onde a comunicação e o transporte não são separados; ou seja, você precisa de um meio de transporte que leve sua mensagem. Um dia, então, surge algo que transmite mensagens na velocidade da luz — após a instalação dos cabos, é claro.

Mas não foi tão simples. A invenção foi sendo adaptada por várias pessoas, cada uma procurando uma forma de se enviar palavras, já que o telégrafo convencional funciona por pulsos elétricos.

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O modelo que se sobressaiu por sua agilidade e simplicidade foi o de Samuel Morse. Em sua ideia, havia um alfabeto de pontos e traços; os pontos eram representados pelos pulsos mais curtos e os traços pelos pulsos mais longos. O alfabeto ficou conhecido como Código Morse.

Após seu protótipo desenvolvido e em funcionamento, Morse pediu ao congresso dos Estados Unidos um financiamento para fazer uma linha de pouco mais de 60 quilômetros, que ligava Baltimore a Washington. Após tentativas, o inventor conseguiu o orçamento. A linha foi concluída em 1844, após anos de espera. A primeira mensagem transmitida pelo aparato foi “What hath god wrought”, algo como “O que Deus permitiu”.

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O telégrafo no Brasil

Agradeça, em parte, à briga entre empresário Irineu Evangelista de Souza — que pelo feito se tornou o Visconde e Barão de Mauá — e Dom Pedro II pela introdução do telégrafo no Brasil.

Em resumo, o empresário era anti-escravista e, em um evento, estava fazendo um discurso do quão honroso era o trabalho. Para pesar o discurso, convidou o então imperador do Brasil Dom Pedro II, para instalar uma barra de uma ferrovia que Irineu estava financiando, mostrando-se trabalhador. Conta-se que o imperador passou uma grande vergonha ao se atrapalhar com as ferramentas. Após isso, a relação entre os dois foi abalada.

Em uma tentativa de pedir desculpas — além de outros motivos políticos —, Irineu, o homem mais rico do Brasil na época, resolveu instalar o telégrafo no Brasil. Criou uma pequena linha ligando algumas instituições importantes no entorno da capital e também ligou o Brasil à Inglaterra, o que rendeu seus títulos de nobreza.

A “magia”

No início a ideia não foi aceita como o esperado, mas com o tempo revolucionou a comunicação global. Em 1858, o The New York Times chamou a o telégrafo de “superficial, repentino, insensível, rápido demais para a realidade”.

Em pouco tempo todos os continentes estavam ligados por meio de cabos submarinos por meio dos quais os pulsos elétricos do meio de comunicação viajavam. Os primeiros a perceber a importância econômica e estratégica do telégrafo foram os ingleses, que chegaram a controlar quase 70% da rede de cabos mundial.

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O telégrafo foi utilizado amplamente desde os períodos de paz, até períodos de extremo conflito, como as duas guerras mundiais. Uso comercial, de comunicação, uso estratégico; sua versatilidade era enorme.

A invenção encolheu o mundo de uma forma nunca vista antes. Podia-se conversar com alguém do outro lado do globo de forma instantânea, em um período que a comunicação à longa distância era sempre feito por meio de lentos navios.

Chegou-se a cogitar, por alguns, que com uma comunicação tão ágil, a diplomacia seria revolucionada a ponto de não haver mais guerras. Infelizmente tal esperança não se concretizou, mas são inegáveis os benefícios que o telégrafo e, mais tarde, a internet trouxeram para o mundo.

Referências:

  1. BELLIS, Mary. Samuel Morse and the Invention of the Telegraph; Thought Co. Acesso em: 15 fev. 2018.
  2. KURBALIJA, Jovan. Back to cable geo-politics?; Diplomacy. Acesso em: 15 fev. 2018.
  3. SILVA, Mauro Costa. “A telegrafia elétrica no Brasil Império – ciência e política na expansão da comunicação”.
  4. TELEGRAPH.Inventor Samuel Morse sends the first US telegram. Acesso em: 15 fev. 2018.
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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pelo jornalismo científico. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente faço o ensino médio em uma ETEC e escrevo para o Ciencianautas.

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