(Créditos da imagem: Pixabay).

A versatilidade da internet é enorme. Ela encurtou distâncias, tornou a interação entre pessoas, empresas e instituições muito mais ágeis e deixou o mundo quase por completo conectado; ela está em coisas onde nem imaginamos, muito além do WhatsApp ou do Facebook. A melhor forma de causar um apocalipse seria acabar com a internet.

O que conhecemos da internet é uma pequena e superficial camada. Vemos, basicamente o World Wide Web — geralmente chamado apenas por Web — o WWW dos links. A Web foi criada graças ao CERN, a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, o maior laboratório de física de partículas do mundo.

Talvez você tenha visto algum portal noticiando no último dia 12 o 30° aniversário da Web (não da internet). Entenda a história.

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A história por trás da internet

Planeta Terra, Guerra Fria. Logo após a Segunda Guerra Mundial, duas potências ascenderam: Estados Unidos e União Soviética. Iniciaram uma disputa para o controle do mundo. A principal frente de batalha era o desenvolvimento científico e tecnológico.

Em 1958 foi criada pelos Estados Unidos a ARPA (Agência de Projetos Avançados de Pesquisa), que mais tarde viria a se chamar DARPA, uma instituição ligada ao Departamento de Defesa, criada em reação às conquistas tecnológicas soviéticas . Essa agência teve um importante papel nessa criação.

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No início da década de 1960, experimentos no MIT(Instituto de Tecnologia de Massachusetts), demonstraram que era possível um coletivo de computadores conversar entre si e funcionar em conjunto. Além disso, Leonard Kleinrock, também do MIT apresentou, em seu doutorado, uma forma de se transmitir dados, por meio de pacotes (a comunicação por pacotes foi desenvolvida em segredo, independentemente e simultaneamente por diversas agências, não só americanas); tal método foi essencial para a criação de redes de computadores.

Em 1966, Lawrence G. Roberts, pesquisador do MIT, foi para a DARPA para desenvolver melhor o conceito de rede de computadores, já superficialmente testado no MIT. Seu plano deu origem à ARPANET.

Em pouco tempo, começaram a instalar em algumas universidades dos Estados Unidos os IMPs (Interface Message Processors), espécie de roteadores, que seriam os “nós” da rede.

As duas primeiras Universidades a receberem IMPs foram a Universidade da Califórnia, em Los Angeles e um instituto da Universidade de Stanford. A primeira mensagem que seria transmitida pela rede de quase 650 km seria a palavra “login”. No entanto, o sistema caiu e foi transmitido apenas “lo”, no ano de 1969. Ainda em 1969, a rede foi expandida, incorporando a Universidade de Utah e a Universidade de Santa Bárbara, totalizando quatro nós.

Para os militares, havia uma rede de comunicação descentralizada; dados estavam mais seguros das mãos inimigas e mais difíceis de serem perdidos. Para os civis das universidades, a comunicação estava mais ágil. Ambos os setores se beneficiaram.

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Em 1971, 15 nós já faziam parte da rede. Em 1972, 29 nós. Foi em 72 que ocorreu a primeira demonstração pública da Arpanet e também ano em que surge o e-mail.

A rede era fechada, e havia algumas universidades de fora dela que queriam sua rede própria. Com apoio do NSF (Fundação Nacional da Ciência), fundaram a CSNet (Computer Science Network). Quando a CSNet se tornou independente, a NSF criou uma rede própria, a NSFnet. Não havia apenas essas; uma explosão de redes estava ocorrendo pelo mundo.

Em 1972 a Arpanet se ligou com o sistema Norueguês e com o sistema britânico. A continuação da expansão de ligação das networks era desejada, mas os protocolos de transmissão eram diferentes e o trabalho era enorme para se ligar. Além disso, o protocolo NCP, da Arpanet, não daria conta de uma rede tão grande.

O professor Vinton Cerf, do Instituto Stanford, desenvolveu  então, o protocolo TCP/IP (utilizado até hoje), que seria padrão para as redes. Assim, poderiam ser ligadas. É desse projeto que nasce o nome internet, pois a ligação entre os networks (as redes) era chamado de internetting.

Nesse tempo, novas tecnologias foram sendo desenvolvidas, e a história é muito mais longa e complicada.

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As redes começam a ser privatizadas. Entre 1987 e 1991 a internet começa a ser liberada para uso comercial nos Estados Unidos. Mas ainda não era tão simples como hoje.

A cara da internet

A internet era feia e difícil. Não era tão intuitiva como nos dias de hoje. É aí que entra o WWW, citado no início. Tim Berners-Lee, muitas vezes colocado equivocadamente como “criador da internet”, foi responsável pela criação da web.

Inicialmente Tim criou o ENQUIRE, com a utilidade de facilitar o compartilhamento de dados com colegas do CERN. O projeto serviu como base para o WWW, muito mais completo que o ENQUIRE.

O seu projeto deixava a navegação muito mais simples e mais intuitiva. Antes da web, a internet era muito mais esquisita e complicada.

O primeiro servidor da web foi um computador pessoal, o NeXTCube. Colado nesse computador havia um bilhete escrito por ele mesmo à mão que dizia “Esta máquina é um servidor. NÃO DESLIGUE A ENTRADA!”. O primeiro endereço da Web foi http://info.cern.ch/hypertext/WWW/TheProject.html, uma página que descrevia o World Wide Web.

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De uma pequena máquina em um laboratório a um grande servidor, Tim também lançou um software que continha também um navegador web. Com o tempo, dezenas de outros navegadores web foram surgindo.

No final de 1993, havia cerca de 500 servidores conectados à web. O WWW representava apenas 1% do tráfego global de internet (note que hoje o www domina). Um ano mais tarde, ao final de 1994, já havia mais de 10 mil servidores conectados. O que ajudou nessa inacreditável expansão foi justamente a simplicidade do World Wide Web.

O que pensa Tim sobre a internet atualmente

Como disse Tim em um “desabafo” publicado no aniversário de 30 anos da Web, “A web se tornou uma praça pública, uma biblioteca, um consultório médico, uma loja, uma escola, um estúdio de design, um escritório, um cinema, um banco e muito mais”.

No entanto, ele lamenta os muitos problemas e mau usos existentes:

“E enquanto a web criou oportunidades, deu voz aos grupos marginalizados e facilitou nossas vidas diárias, também criou oportunidades para golpistas, dando voz àqueles que espalham o ódio e tornando todos os tipos de crime mais fáceis de serem cometidos”.

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Em entrevista à BBC, ele disse:

“Estou muito preocupado com a proliferação de desinformação e sordidez. Quando o escândalo da Cambridge Analytica veio à tona, as pessoas perceberam que as eleições foram manipuladas com dados que elas forneceram. A web é para todos e coletivamente, temos o poder de mudá-la. Não será fácil. Mas se sonharmos um pouco e trabalharmos muito, podemos conseguir a web que queremos”, conclui em seu “desabafo.”

Referências:

  1. BERNERS-LEE, Tim.30 years on, what’s next #ForTheWeb?. Acesso em: 14 mar 2019.
  2. CERN. “A short history of the Web”. Acesso em: 14 mar. 2019.
  3. Internet Society. “Brief History of the Internet”. Acesso em: 14 mar. 2019.
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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pelo jornalismo científico. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente faço o ensino médio em uma ETEC e escrevo para o Ciencianautas.

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