(Créditos da imagem: NASA).

Vemos alguns corpos no espaço como mortos, moribundos, como Marte, que já perdeu quase toda sua atmosfera e seus oceanos, pela ausência de um campo magnético, que provavelmente já existiu há alguns bilhões de anos, e novas evidências reiteram essa possibilidade de um passado azul. A mesma coisa quanto à Lua; é um corpo praticamente morto, que fica orbitando a Terra e refletindo uma parte da luz do sol, desapontando as antigas esperanças de seres lunáticos e marcianos em uma viva civilização.

Um estudo publicado em abril no periódico Geology, no entanto, mostra que talvez a Lua não esteja tão morta assim. Há evidências de que atividade tectônica — que causa terremotos —, ainda ocorre em nosso querido satélite.

Sismógrafos instalados na Lua na época das missões Apollo registraram, no curto período de funcionamento, entre 1969 e 1977, 28 terremotos superficiais – mais próximos à crosta —, e a existência de falésias (termo geológico para acidentes como montanhas e aqueles “paredões” em áreas litorâneas) – na lua chamam de escarpas lobadas, mas que foram atribuídos à interação gravitacional com a Terra – um efeito chamado de força de maré — ao invés de algum movimento interno.

Em 2019, iniciam-se os debates em torno da possibilidade de atividades tectônicas gerarem aquelas atividades sísmicas detectadas, através de um estudo publicado na revista Nature Geoscience. A equipe, liderada por Thomas Watters, relacionou algumas falhas geológicas em jovens montanhas com esses terremotos que, por sua vez, por inúmeros motivos são, aparentemente, de origem tectônica.

Esse novo trabalho, feito por Adomas Valantinas e Peter Schultz, busca a origem de “rugas” na superfície lunar. A qualidade dos dados permitia análises bem detalhadas, e eles puderam separar rochas e pedregulhos em várias categorias diferentes; a alta quantidade de algumas dessas rochas nas “cristas” dessas rugas, conforme eles concluíram, só poderiam ser originadas por atividade tectônica. Além disso, sabe-se que essa atividade deve ser recente pelo fato de essas rugas ainda não estarem cobertas por rególitos, processo que ocorre rapidamente.

Uma outra possibilidade levantada são os efeitos da Bacia do Polo Sul-Aitken, uma gigantesca cratera, com 2500 km de diâmetro e 13 km de profundidade. É possível que o impacto que gerou essa cratera, há muito tempo, tenha causado tanto tremor que gerou rachaduras que foram se enchendo de magma, e vemos os efeitos até hoje.

Referências: 

  1. VALANTINAS, Adomas; SCHULTZ, Peter. “The origin of neotectonics on the lunar nearside”. Acesso em: 05 mai. 2020.
  2. WATTERS, Thomas el al. “Shallow seismic activity and young thrust faults on the Moon”. Acesso em: 05 mai. 2020.