(Créditos da imagem: Pixabay).

Preocupantes notícias sobre o sarampo estão vindo à tona nas últimas semanas. A  Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), órgão da ONU, alerta os 10 maiores responsáveis: Brasil, Ucrânia, Filipinas, Iêmen, Venezuela, Sérvia, Madagascar, Sudão, Tailândia e França. Esses países são responsáveis por 74% do aumento no número de casos da doença. A ampliação na ocorrência do sarampo aconteceu em 98 países.

A doença, transmitida por um vírus, é altamente contagiosa, se espalha principalmente pelo ar, por meio da saliva de pessoas contaminadas, mas também pode se propagar pelo toque.

Desde 2014 não se registrava novos casos da doença na Costa Rica, mas um garoto francês, em viagem com seus pais, acabou a reintroduzindo no país. A culpa disso: falta de vacina.

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Para evitar que a doença se espalhe no país a criança e seus pais foram mantidas em quarentena durante sete dias em um hospital, com muitos cuidados para o ar do ambiente não vazar.

As autoridades estão também buscando contatar todas as pessoas que entraram em contato com a família, incluindo os 300 passageiros do voo, para se tomar medidas de segurança para manter a doença sob controle. Também já contataram autoridades francesas para que a doença não se espalhe na França.

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O sarampo no Brasil

Infelizmente o Brasil está na lista do alerta divulgado pela Unicef. O SUS possui um amplo e invejável programa de prevenção de diversas doenças, e o trabalho estava perfeito. Durante três anos, de 2015 a 2017, não houve nenhum caso da doença no país. No entanto, algo ocorreu: mais de 10 mil casos de sarampo no ano de 2018.

A causa disso é a queda no número de pessoas vacinadas. Em 2015, 96% da população estava vacinada contra a doença. Em 2017 esse número caiu para 85%.

“A questão dos movimentos antivacina foi algo que se apresentou nos países desenvolvidos. Aqui, não posso descartar, mas acredito que não seria o principal. (O conjunto de motivos) Pode passar pelo desfinanciamento do SUS (Sistema Único de Saúde) em geral, com a crise nos Estados e municípios, já que o PNI em si não foi desfinanciado. Pode ter a ver também com mudanças sociais, culturais e econômicas no mundo, como as dificuldades das famílias em imunizarem as crianças em horário comercial”, disse Cristina Albuquerque, chefe de Saúde e HIV do Unicef no Brasil em entrevista à BBC Brasil.

Segundo ela, “o êxito do nosso programa de imunização [do Brasil], um dos mais reconhecidos do mundo, pode ter dado segurança demais e levado à diminuição”.

Há quem culpe os refugiados venezuelanos no Brasil, no entanto, tal argumento é facilmente refutável. Segundo a Unicef, se o nível de cobertura da vacina entre os brasileiros estivesse superior a 95% da população, não haveria esse problema.

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A importância da vacina

Há alguns anos, Andrew Wakefield, um médico inglês, espalhou o boato de que a vacina que combate o sarampo causa autismo. A sua licença para exercer a profissão foi cassada pelo Conselho Federal de Medicina da Inglaterra, mas o estrago já tinha sido feito. Vários grupos anti-vacina surgiram pelo mundo.

Pais que não vacinam seus filhos estão cometendo uma tremenda irresponsabilidade, possivelmente condenando a criança até mesmo à morte e colocando inúmeras outras pessoas em risco. Todas as vacinas presentes no sistema público de saúde são testadas e aprovadas para que não apresentem riscos ao serem aplicadas.

Em alguns países, o sarampo é um dos principais responsáveis pela mortalidade infantil.

Para que uma doença seja erradicada, é recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que 95% da população esteja vacinada. No caso do sarampo, o Brasil cumpria isso até 2016. Os outros 5%, grupos que não podem ser vacinados (grávidas, bebês com menos de um ano e pessoas com problema de imunidade) são protegidos pelo restante.

No Brasil, a tríplice viral, que previne o sarampo, a caxumba e a rubéola, é oferecida gratuitamente pelo sistema público de saúde. A vacina é completamente segura e todas as pessoas entre 1 e 49 anos de idade podem e devem ser imunizados, com exceção dos grupos já citados.

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O governo brasileiro já tomou providências e entre agosto e setembro de 2018, 11 milhões de crianças com menos de 5 anos foram vacinadas, atingindo quase 98% de cobertura no grupo. Em breve a doença já deve estar novamente sob controle.

“O sarampo é a doença, mas, na maioria das vezes, o verdadeiro problema é a desinformação, junto com a falta de confiança e a complacência. Precisamos fazer mais para informar todos os pais de forma consistente, para que nos ajudem a vacinar com segurança todas as crianças”, afirma Henrietta Fore, diretora executiva do Unicef.

Referências:

  1. ALVIM, Mariana. Sarampo no Brasil tem avanço preocupante, alerta Unicef; BBC. Acesso em: 01 mar. 2019.
  2. BBC. “Sarampo: O menino francês não vacinado que reintroduziu a doença na Costa Rica”. Acesso em: 01 mar. 2019.
  3. Hospital Israelita Albert Einstein. “Guia de doenças e sintomas: Sarampo”. Acesso em: 01 mar. 2019.
  4. Unicef. “Surto global de sarampo, uma ameaça crescente para crianças”. Acesso em: 01 mar. 2019.
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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pelo jornalismo científico. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente faço o ensino médio em uma ETEC e escrevo para o Ciencianautas.

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