A rã-de-olhos-vermelhos deriva de animais que aproveitaram o ressurgimento da cobertura florestal após o impacto do asteroide. (Créditos da imagem: Reprodução/BBC).

Uma nova análise mostra que a população de rãs aumentou potencialmente depois da extinção dos dinossauros, há 66 milhões de anos. Isso parecia contradizer evidências anteriores que sugerem uma origem muito mais antiga de alguns grupos de rãs.

As rãs tornaram-se um dos grupos de vertebrados mais diversos existentes, contando com mais de 6.700 espécies catalogadas. No entanto, a falta de dados genéticos tem dificultado o rastreamento e construção da história evolutiva desses animais.

O novo estudo mostra que três grandes linhagens de rãs modernas — que juntas compõem 88% das espécies de rãs vivas — apareceram quase que simultaneamente. Essa diversificação impressionante de espécies parece ter ocorrido nos calcanhares do asteroide, que atingiu o que é agora a borda da Península de Yucatán, no México. Liberando um bilhão de vezes mais energia que uma bomba atômica, o impacto espacial do asteroide da Terra apagou três quartos de toda a vida até então existente. Mas isso também pareceu ter preparado uma abertura para a evolução das rãs.

Os cientistas juntaram um conjunto básico de 95 genes do DNA de 156 espécies de rãs — eles combinaram seus dados com a informação genética de um adicional de 145 espécies para produzir uma detalhada árvore genealógica desses animais, baseada em suas relações genéticas.

Usando fósseis de rãs para conseguir uma “grande verdade” sobre os dados genéticos, os pesquisadores foram capazes de adicionar uma linha do tempo à árvore genealógica. Os três maiores grupos de rãs — a hyloidea, os microhilídeos e os natatanura — traçaram suas origens a uma expansão que ocorreu depois de 66 milhões de anos atrás.

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Dendrobates auratus. (Créditos da imagem: Reprodução/BBC).

“Ninguém tinha visto esse resultado antes”, disse o coautor da pesquisa, Peng Zhang. “Nós refizemos as análises usando configurações de parâmetros diferentes, mas o resultado permaneceu o mesmo. Eu percebi que o sinal era muito forte em nossos dados. O que eu vi não poderia ser falso”.

O doutor David Blackburn, do Museu de História Natural da Flórida, explicou: “Os sapos estiveram por aí por mais de 200 milhões de anos, mas esse estudo mostra que eles não possuíam a diversidade que têm hoje até a extinção dos dinossauros”.

O Dr. Blackburn disse que a velocidade em que os sapos se diversificaram depois da explosão sugere que os sobreviventes provavelmente preencheram um novo ninho ecológico.

A explosão destruiu uma grande proporção da vegetação na Terra, mas as florestas começaram a se recuperar depois do evento, então parece que as rãs foram um dos grupos que conseguiram aproveitar o que o novo habitat proporcionava.

Os pesquisadores apontaram que nove das linhagens de rãs que se originaram antes da extinção e sobreviveram ao impacto do asteroide adaptaram-se para viver em árvores.

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O estudo também indica que a distribuição global de sapos acompanha a ruptura dos supercontinentes, começando com a Pangea de 200 milhões de anos atrás e então Gondwana, que se dividiu na América do Sul e na África. Os dados sugerem que os sapos provavelmente usaram a Antártida, ainda não envolto em lençóis de gelo, como um trampolim da América do Sul para a Austrália.

“Eu penso que a coisa mais excitante do nosso estudo é nos mostrar que os sapos são um grupo muito forte. Eles sobreviveram à extinção em massa que detonaram com os dinossauros”, disse Peng Zhang.

No entanto, os sapos — como outros anfíbios — sofrem muitas mudanças atualmente, incluindo a perda de habitat devido à exploração madeireira e doenças virais e fúngicas.

Fonte:BBC
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Letícia Miranda
Baiana que adora jazz, blues, samba, escrita e que perde muito tempo assistindo filmes. Interessada em diversas áreas da ciência, com foco em neurociência, psicologia, biologia e literatura.

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