(Créditos da imagem: Nathan Devery/Shutterstock).

Desde 1953, com a descoberta da dupla hélice do DNA, a biologia molecular vem surpreendendo com a sua evolução tecnológica. De testes de paternidade e análises criminais ela chegou ao inimaginável: a modificação da própria genética humana.

A técnica CRISPR, do inglês Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats (Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas), está sendo aprimorada com base no sistema de defesa das bactérias. O processo envolve uma enzima denominada Cas9, que é capaz de localizar uma parte específica do DNA para cortar ou editar, tornando possível a eliminação de falhas genéticas que levam a doenças hereditárias.

Em 2018, o cientista chinês He Jiankui afirmou por um vídeo no YouTube ter modificado os genes de duas bebês utilizando a técnica CRISPR. Seu objetivo era evitar que elas herdassem do pai o vírus HIV. O anúncio causou revolta na comunidade científica e, em janeiro de 2020, Hen e dois colegas envolvidos foram presos por prática médica ilegal.

O problema é que não há certeza sobre as consequências da modificação genética no resto do corpo humano. Por mais eficaz que seja a Cas9, o mínimo engano da enzima pode alterar o gene errado e ocasionar uma síndrome congênita, por exemplo.

Alguns especialistas ainda temem que os efeitos da edição genômica não afetem somente os atuais envolvidos, mas também as futuras gerações que vão herdar possíveis mudanças na estrutura do DNA.

Muitos acreditam que retirar artificialmente qualquer parte do corpo humano é algo antiético. Isso porque, ao impedir um gene específico de se manifestar, implica-se que qualquer pessoa com ele possui uma falha e os preconceitos sociais se agravariam.

De acordo com seu site oficial, o projeto CRISPR está comprometido a melhorar a vida dos pacientes com doenças sérias por meio da inovação científica. [CRISPR/Super Interessante (1, 2)/New Scientist (1, 2)/Nature].

Alícia Hillesheim
Terráquea de 17 anos que nasceu no paralelo 30° S e tenta compreender o Universo desde a infância, quando descobriu as teorias de Albert Einstein. Interessada principalmente em astronomia e biologia, mas amante secreta da matemática e suas infinitas equações. Passa boa parte do tempo investigando conteúdo científico e criando novas teses. Também gosta de resolver desafios lógicos e jogar xadrez. Enquanto viaja por diversas realidades dentro da própria mente, busca fazer parte do incrível desenvolvimento da ciência.