(Créditos da imagem: ESO/L. Calçada).

Algo muito bizarro foi observado. Uma estrela com um brilho de dois milhões de vezes mais do que o Sol simplesmente sumiu, sem deixar nenhum rastro. Isso ocorreu com uma estrela anã extremamente maciça e pode representar a observação de uma morte estelar.

Diversas hipóteses foram boladas a fim de tentar explicar o que de fato ocorreu. Dentre elas, pode ser simplesmente algum processo qualquer que a estrela está passando, algum objeto ou poeira estelar que pode estar tapando a visibilidade dessa estrela ou a ideia mais animadora: buraco negro.

Um buraco negro ocorre quando uma estrela de massa muito grande morre. Como essa massa é tão grande, ela colapsa sob a própria gravidade e gera um buraco negro, um ponto no universo com uma gravidade tão grande que nem a luz escapa. E essa estrela pode ter se tornado um buraco negro.

O estudo que descreve a observação inédita foi publicado na última terça-feira (30) no periódico Monthly Notices, da Royal Astronomical Society.

A estrela

Ela é uma estrela massiva, localizada na pobre galáxia Kinman Dwarf. Foi muito estudada por várias equipes entre os anos de 2001 e 2011, e já sabíamos que ela estava em sua fase final de evolução – esperávamos que ocorresse alguma explosão, e não seu desaparecimento.

A galáxia Kinman Dwarf, ou pelo código PHL 293B, está localizada a cerca de 75 milhões de anos-luz de distância da Terra, mais precisamente na constelação de Aquário. Ela é uma das galáxias anãs mais pobres em metais conhecidas em todo o universo.

Em 2019, certo dia alguns cientistas decidiram apontar para a estrela alguns equipamentos do (Very Large Telescope) VLT do ESO (Observatório Europeu do Sul), no Chile. O problema foi que ela não estava por lá.

Mais tarde, eles tentaram voltar outros instrumentos, do ESO e de outros observatórios, além de tentar utilizar mais telescópios do próprio VLT. Nenhuma tentativa de enxergá-la foi bem sucedida.

Morte ou omissão?

Algumas hipóteses visam explicar sua morte. A primeira, e mais simples, é a possibilidade de ela ter simplesmente tido seu brilho diminuído e mais algum obstáculo no caminho, como poeira estelar, a ofuscou, já que está muito longe.

Mas os pesquisadores também analisaram os dados mais antigos de outros telescópios do ESO, durante esse período entre 2001 e 2011, onde ela foi bastante estudada.

Com uma nova revisão dos dados, eles dizem que ela poderia estar sim passando por uma explosão – e que aquele brilho todo era a explosão, e não de fato a estrela, que brilharia menos, nesse caso, em um período anterior ao período em que a conhecemos.

Nesse caso, a perda repentina no brilho pode ser explicada, pelo processo detalhado a seguir. Essa perda seria estranha caso todo aquele brilho fosse sim a estrela, e não uma explosão.

Ela se tornou um buraco negro?

Ok, sabemos que isso ocorre. As estrelas morrem de alguma forma e conhecemos incontáveis buracos negros pelo universo. A novidade, entretanto, está na forma como ela morreu, caso seja de fato um buraco negro.

Para uma estrela se tornar um buraco negro há um processo: primeiro, seu material de fusão passa a diminuir. Quando os materiais pesados passam a tomar conta do núcleo estelar, ela já não possui mais força para realizar a fusão – o processo é melhor com hidrogênio e hélio, mas é possível até pouco antes do ferro.

Quando o ferro já está se formando quer dizer que a estrela está próxima de morrer. Um dia ela começa a se apagar e a pressão interna vence e faz com que essa estrela exploda em um fenômeno muito bonito e bastante conhecido: uma supernova.

Após isso, essa matéria da supernova pode dar origem a diversos objetos diferentes – estrelas, planetas, cometas, um sistema planetário inteiro. Ou, pode também, se houver concentração e matéria o suficiente – equivalente a algumas massa solares – dar origem a um buraco negro.

Agora que entra a parte bizarra: a estrela estava brilhando calmamente, seguindo a sua vida, quando de repente seu brilho desapareceu. Caso ela tenha se tornado um buraco negro, foi uma forma inédita de morte estelar, e por isso essa é a hipótese menos provável.

Referências:

  1. ALLAN, Andrew P et al. “The possible disappearance of a massive star in the low-metallicity galaxy PHL 293B”. Acesso em: 01 jul. 2020.
  2. EUREK ALERT. “A cosmic mystery: ESO telescope captures the disappearance of a massive star”. Acesso em: 01 jul. 2020.
  3. LiveScience. “A ‘monster’ star 2 million times brighter than the sun disappears without a trace”. Acesso em: 01 jul. 2020.