(Créditos da imagem: Reprodução).

Uma explicação completa sobre a origem da vida atualmente não existe, mas grupos de pesquisadores ao redor do mundo têm trabalhado neste mistério.

Aqui daremos uma olhada em algumas descobertas.

A teoria de Darwin sobre a evolução biológica diz que toda vida na Terra surgiu a partir de um ancestral em comum; uma criatura relativamente simples e reprodutiva que viveu em um passado distante. Essa ideia é baseada em muitas observações. Uma delas é que quando os seres vivos se reproduzem, seus filhotes nascem com traços aleatórios e novos. Aqueles com traços negativos são menos propensos a sobreviver e reproduzir-se. Aqueles com traços positivos são mais propensos a viver e repassar essas características aos seus filhos. Depois de muitas gerações, os traços positivos construídos permitem que uma forma de vida simples evolua para formas mais complexas e até mesmo se dividir em muitas espécies diferentes.

Um olhar cuidadoso sobre um registro fóssil confirma totalmente a teoria de Darwin: as formas de vida ficam cada vez mais simples quando voltamos no tempo. O registro sugere que a vida na Terra surgiu em colônias de células primitivas há cerca de 3,5 bilhões de anos. Mas como aquelas criaturas apareceram?

Até mesmo as bactérias mais simples que existem hoje são complexas demais para terem surgido em um único passo. Além do mais, a primeira cultura reprodutiva não pode ter sido desenvolvida pela evolução biológica, porque a evolução precisa de reprodução para funcionar. A origem da vida precisa de sua própria explicação, e a ideia mais promissora no momento — a única que está levando os cientistas aos achados — é que a vida surgiu da química.

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A química é o estudo da matéria — particularmente de como os átomos interagem entre si, formando moléculas, e como as moléculas juntam-se para formar sistemas maiores. Tudo é feito de substâncias químicas: o ar que respiramos, os seus fios de cabelo, tudo. Dito isso, a química é muito especial para duas coisas muito importantes.

Primeira: a química da vida é organizada por caminhos metabólicos. Se você olhar para as células de qualquer coisa viva, até mesmo uma planta, você não imaginaria o quão animada é a sua vida. Reações químicas ocorrem em caminhos continuamente ordenados, ou seja, uma reação que acabou de acontecer será a base para outra reação. Os cientistas chamam essas reações de “caminhos metabólicos”.

A segunda coisa é que as células da vida são feitas com substâncias especiais. Como os aminoácidos, por exemplo, que não podem ser encontrados onde não há vida. Esses blocos de construção se combinam para formar sistemas e estruturas ordenadas e altamente complexas, como o gene, as proteínas e as membranas celulares.

No passado, os cientistas não faziam a menor ideia do que alimentava essas estranhas atividades da vida e nem como eram produzidas essas substâncias únicas. Eles concluíram que a vida era abastecida por uma força chamada de “força vital”. Mas, em 1828, um químico chamado Friederich Wohler produziu acidentalmente uma ureia no seu laboratório. Isso mesmo, ureia! Um dos componentes da urina. Uma das substâncias químicas que os cientistas pensavam que eram produzidas somente por uma força vital dentro de um organismo vivo. A produção acidental da ureia sugeriu que a vida não poderia ser produzida por uma força misteriosa, mas sim por reações químicas normais que poderiam ser estudadas. Desde aquela época, muitas atividades moleculares e celulares têm sido recriadas em laboratório, mostrando claramente que foram feitas por reações químicas normais, que podem ter sido produzidas por substâncias não vivas.

Pesquisadores descobriram atualmente que substâncias que compõem a vida — como aminoácidos — foram encontrados em meteoritos. Isso nos diz que essas moléculas têm sido produzidas ao longo do tempo no nosso Sistema Solar, e pode ter sido comum na Terra em seu início. Nós também descobrimos um processo chamado de “evolução química”. Quando moléculas simples são abandonadas sozinhas com uma fonte de energia, elas interagem entre si, formando moléculas maiores e mais complexas ao passar dos anos.

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Experiências em laboratórios têm mostrado que mudanças nas reações químicas podem se desenvolver e algumas delas se assemelham ao caminho metabólico da vida. Surpreendentemente, também descobrimos que algumas moléculas têm a capacidade de se auto-juntarem em estruturas mais complexas. Algumas se agrupam formando esferas ocas idênticas às membranas de células existentes atualmente. Outras se juntam formando longas colunas similares às deformações do DNA.

Os cientistas ainda têm muitas perguntas a fazer sobre a origem da vida: como diferentes moléculas começaram a trabalhar juntas produzindo o código genético? Como eram as primeiras criaturas vivas reprodutivas? O quão provável é que a vida tenha se formado ou vêm se formando em qualquer local da nossa galáxia?

Voltando a pergunta original: a ciência pode explicar a origem da vida? A ciência ainda não explicou a origem da vida em alguns detalhes, mas os pesquisadores vêm trabalhando em uma teoria para um dia descrever, do início ao final, como ocorreu todo o processo.

Essa é a origem da vida até onde entendemos.

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Letícia Miranda
Baiana que adora jazz, blues, samba, escrita e que perde muito tempo assistindo filmes. Interessada em diversas áreas da ciência, com foco em neurociência, psicologia, biologia e literatura.

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