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É muito fácil reconhecer uma baleia cachalote: é a única baleia com jeitão de torpedo. Isso acontece porque sua cabeça tem um órgão gigantesco chamado espermacete, onde ficam armazenados até 1.900 litros de um óleo especial.

Esse óleo foi muito usado entre os séculos XIX e XX para acender lamparinas, fazer velas, cosméticos, etc. E por isso essas baleias foram caçadas quase à beira da extinção. As baleias cachalotes eram tão presentes no cotidiano das pessoas, que acabaram sendo imortalizadas na obra de Herman Melville. Na história, o capitão Ahab passa anos tentando encontrar a baleia Moby Dick, que teria feito um baita estrago no casco de seu navio enquanto os marujos tentavam caçá-la.

Não existe registro de cachalotes afundando navios, mas a fama de durona é verdadeira: para se alimentar, elas mergulham a incríveis dois mil metros de profundidade para comer polvos, lulas gigantes e outros moluscos. Para realizar tal feito, estas baleias possuem inúmeras adaptações interessantíssimas, já que a falta de luz, baixa temperatura e alta pressão dificultam muito a vida de qualquer animal que queira se aventurar nas profundezas das zonas abissais.

As baleias cachalotes podem ficar até 2 horas submersas e o óleo do espermacete dá um “empurrãozinho” para afundar mais rápido. Ao mergulhar, seu metabolismo fica mais lento e o sangue se concentra nos órgãos vitais… é aí que o óleo entra em ação. À medida que afunda, o óleo resfria a ponto de se tornar sólido. Como seu volume diminui, a densidade aumenta, ajudando a baleia a descer. Para subir, o óleo é aquecido e se torna líquido novamente. Assim, seu volume aumenta e a densidade diminui, auxiliando na subida em direção à superfície.

Até hoje, não se sabe muito sobre a função do óleo e os mecanismos de mudança de temperatura que alteram seu estado físico. Mas os cientistas também acreditam que o espermacete pode fazer parte do sistema de ecolocalização das baleias cachalotes, à semelhança do que ocorre com seus parentes golfinhos.