(Créditos da imagem: CC0 Public Domain).

Um novo artigo na Family Practice, publicado pela Oxford University Press, descobriu que o uso generalizado de estatinas e a tecnologia de rastreamento do câncer podem ter alterado os benefícios do uso de aspirina. Os pesquisadores concluíram que a aspirina não fornece mais um benefício líquido como prevenção primária de doenças cardiovasculares e cânceres.

Quase metade das pessoas com 70 ou mais anos relataram tomar aspirina diariamente, mesmo que não apresentem histórico de doença cardíaca ou derrame. No geral, estima-se que 40% dos adultos nos Estados Unidos tomam aspirina para prevenção primária de doenças cardiovasculares, tornando-o um dos medicamentos mais usados.

Os pesquisadores realizaram a primeira revisão do papel da aspirina na prevenção cardiovascular há 30 anos, relatando uma redução no risco de ataques cardíacos fatais e não fatais. Os relatórios subsequentes também encontraram uma redução nas mortes por câncer em pacientes que tomam aspirina por cinco ou mais anos, mas nenhuma redução em mortes ou derrames relacionados à problemas cardiovasculares e exibiram consistentemente um risco significativo de complicações hemorrágicas graves.

A maioria desses ensaios com aspirina foi realizado na Europa e nos Estados Unidos e recrutou pacientes antes de 2000. Desde então, os medicamentos para baixar o colesterol passaram a ser amplamente utilizados, acompanhados por um melhor gerenciamento da hipertensão, menos uso do tabaco e ampla adoção da triagem do câncer colorretal.

Os pesquisadores compararam esses estudos mais antigos com quatro recentes ensaios em larga escala de aspirina. De maneira geral, os participantes dos estudos mais recentes se assemelhavam à população contemporânea que usaria aspirina para prevenção primária. Em comparação, eles eram mais velhos, um pouco menos propensos a fumar e mais propensos a ter diabetes tipo 2 do que os pacientes nos ensaios mais antigos.

Igual aos estudos mais antigos, os estudos recentes de aspirina para prevenção primária não encontraram benefício na mortalidade e um aumento significativo no risco de hemorragias graves. No entanto, eles não conseguiram encontrar evidências dos dois importantes benefícios da aspirina: uma redução no risco de mortes por câncer e um risco reduzido de ataques cardíacos não fatais. Para cada 1000 pacientes que tomaram aspirina por cinco anos, houve quatro menos eventos cardiovasculares importantes, mas mais 7 episódios de hemorragia grave e nenhuma alteração na mortalidade cardiovascular geral.

Atualmente, com o amplo uso de estatinas e exames de câncer em toda a população, a aspirina pode não mais reduzir o risco geral de morte por câncer ou ataque cardíaco quando administrada como prevenção primária. [Medical Xpress].

Referência:

  1. MORIARTY, Frank et al. “A comparison of contemporary versus older studies of aspirin for primary prevention”; Family Practice. 2019. Acesso em: 09 dez. 2019.