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O cérebro dos H. sapiens consome grande quantidade de energia, cerca de 20 a 25% das necessidades diárias. Em primatas não humanos, essa necessidade é de 8 a 10%, mas o cérebro humano precisa de muita energia para manter-se em funcionamento. Em virtude dessa característica, acredita-se que uma dieta calórica tenha sido necessária para a expansão do cérebro humano.

Se compararmos a dentição dos hominídeos, a mudança na dieta acompanhou o crescimento cerebral. Dentes molares maiores, como em australopitecos, indicam uma dieta baseada em vegetais, alimentos mais duros. No entanto, isso mudou a partir do gênero Homo. Para se ter uma ideia, em um chimpanzé, apenas 5 a 7% das calorias provêm de fontes animais. 

Junto com os fósseis do H. erectus foram encontradas carcaças de vários animais, indicando uma dieta bastante carnívora. Além de ingerirem mais carne, esta era compartilhada com outros membros ligados à caça e à coleta. Essa característica confirma que cérebros maiores estão relacionados a comportamentos sociais mais complexos e à inteligência.

Os neandertais viviam em regiões frias e, provavelmente, precisaram de maior demanda energética para sobreviver nessas condições, o que justifica sua alimentação, em que os principais alimentos eram provenientes da caça em vez da coleta.

Os vegetais também foram importantes para aumentar a ingestão energética dos seres humanos. Ao dominar o fogo e aprender a cozinhar, os seres humanos passaram a ingerir vegetais mais calóricos, como raízes e tubérculos, em vez de somente plantas cruas, geralmente menos calóricas, mais difíceis de mastigar e não digeríveis. Acerca disso, há um trecho do livro Princípios da Antropologia a seguir:

(…) Restos encontrados ao Sul da África também sugerem que o Homo erectus pode ter aprendido a usar o fogo há 1 milhão de anos. O fogo deu a nossos ancestrais humanos mais controle sobre o meio ambiente. Permitiu a continuidade de atividades à noite e forneceu maneiras de afastar os predadores. Deu-lhes o calor e a luz necessários para viver nas cavernas e possibilitou a cocção dos alimentos. A habilidade de modificar culturalmente os alimentos podem ter sido importante na redução do tamanho dos dentes e da mandíbula dos últimos dos fósseis, uma vez que o alimento cru é mais duro e requer mais mastigação. Contudo, o cozimento faz mais do que isso. Ele tira as toxinas das plantas venenosas. Além disso, altera as substâncias nas plantas, permitindo que vitaminas, minerais e proteínas importantes sejam absorvidas pelo trato intestinal em vez de serem simplesmente eliminadas pela organismo. Finalmente, o cozimento torna digeríveis os carboidratos complexos, com os amidos.

O domínio da agricultura e da pecuária permitiu que os alimentos ricos em carboidratos, proteínas, gorduras e calorias pudessem estar disponíveis aos grupos humanos, que não precisavam mais se locomover por longas distâncias, nem dispender muita energia ou na coleta.

Referência:

  1. HAVILAD, Wiliam A. et al. Princípio da Antropologia. São Paulo: Cengage Learning, 2011. p. 106.