(Créditos da imagem: NHC).

Todos sabemos que 2020 não é um ano muito agradável. No terceiro dia da temporada de furacões do Atlântico desse ano, já haviam se formado três grandes tempestades grandes, com tamanho suficiente para receber nome, conforme já abordamos aqui. Foram dois dias antes do recorde anterior para a formação dessas tempestades. 

Agora, quando pensamos que 2020 não nos reserva mais anda (brincadeiras à parte), cinco grandes tempestades — potenciais furacões — estão se formando ao mesmo tempo no Atlântico Norte. Isso coloca os Estados Unidos  e a América Central em risco, pois mesmo que não se tornem furacões de fato (dois já se tornaram), uma tempestade dessas já possui um potencial de destruição grande, causando bastante estrago. 

As tempestades no norte do oceano Atlântico são bastante comuns. Elas afetam principalmente os Estados Unidos e o Caribe. No entanto, 5 grandes tempestades simultâneas é algo bastante raro. A única vez que algo semelhante foi documentado foi no ano de 1971. Naquele ano, também formaram-se 5 tempestades. 

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Dois deles já se tornaram furacões, Paulette e Sally. Duas são tempestades tropicais, Teddy e Vicky. O terceiro, por sua vez, é uma depressão tropical, e se chama René. Uma depressão tropical é um ciclone com velocidades inferiores a 61 km/h. No entanto, por ser bastante fraco, rapidamente deve desaparecer, segundo as previsões. 

Os maiores perigos são, é claro, os furacões. Paulette passa, nesse momento, pelas Bahamas, na América central. Sally, por sua vez, está prestes a entrar no território dos Estados Unidos.

O furacão Katrina, de 2005, foi um dos piores furacões dos últimos anos, em termos de estragos. (Créditos da imagem: Pixabay).

Culpa do aquecimento global?

Talvez, mas não necessariamente, no entanto. O meteorologista Jim Dale diz à BBC: “Esse fenômeno também apareceu em 1971, quando o aquecimento global mal era percebido. Por isso devemos sempre levar em consideração os outros elementos que fazem parte da formação dos furacões”. Dale é autor do livro Weather or Not e trabalha na British Weather Services (Serviço Climático Britânico).

“Este ano tem sido tão incomum, com tantas tempestades tropicais, que os nomes na lista para nomear essas formações já estão se esgotando. Resta apenas um: Wilfred”, explica. Para escolher os nomes, os meteorologistas já possuem listas, que são recicladas a cada seis anos. Entretanto, esse ano o restante da lista não deu, exatamente pelo grande número de tempestades. Eles dão nomes humanos para a facilidade de identificação. Além disso, é mais simples emitir alertas para o civis com nomes, ao invés de códigos.

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À BBC, Dale atribui, em parte às influências de La Niña (resfriamento das águas do Pacífico), combinado com o aquecimento no Atlântico. Além disso, é claro que o aquecimento global exerce, em partes algum efeito. O único ponto, no entanto, é que ele não age sozinho, e são diversos fatores combinados.

Os riscos dos furacões não são apenas pelos ventos e pelas fortes chuvas que trazem. Embora esses fatores também contribuem com destruição, essas tempestades carregam muita água do oceano. As áreas mais litorâneas, portanto, podem sofrer com as marés e enchentes, além da destruição causada pela força do vento e das tempestades.

Com informações de BBC.