(Créditos da imagem: NASA).

Há quase 30 naves espaciais feitas pelo homem no Sistema Solar coletando informações sobre o bairro do nosso planeta. Todos os anos, evidências são recolhidas para reforçar algumas teorias, enquanto outras ficam no caminho. Aqui estão apenas algumas das descobertas sobre o Sistema Solar em 2016.

Júpiter e Saturno lançam cometas e asteroides para a Terra

(Créditos da imagem: Reprodução/Wikimedia Commons).

Em 1994, o mundo observou como o cometa Shoemaker-Levy 9 colidiu em Júpiter, deixando uma marca do tamanho da Terra que persistiu durante um ano. Naquela época, os astrônomos estavam se entregando à ideia de que Júpiter nos protegia dos cometas e dos asteroides.

Com o campo de gravidade maciço, acreditava-se que Júpiter podia “sugar” a maioria dessas ameaças antes que pudessem chegar à Terra. Uma nova pesquisa diz que o oposto é provavelmente verdade, e toda a ideia de “Júpiter protetor” está errada.

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No Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês), da NASA, em Pasadena, as simulações mostraram que Júpiter e Saturno eram mais propensos a lançarem detritos espaciais no Sistema Solar interno, e em órbitas que os trariam para o caminho da Terra. Os planetas maiores provavelmente estão lançando cometas e asteroides em direção à Terra.

Cometas que atingiram a Terra primitiva podem ser responsáveis ​​por entregar os materiais necessários para que a vida se forme.

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Plutão tem água líquida

(Créditos da imagem: NASA/APL/SwRI).

No arredor do Sistema Solar, a nave espacial New Horizon, da NASA, tem revelado estranhezas sobre o distante planeta anão Plutão. A mais importante é que Plutão tem um oceano líquido.

A análise de uma grande cratera — chamada Sputnik Planum — levou os pesquisadores a construírem um modelo que Plutão tem um oceano líquido (a 300 quilômetros de profundidade) de 100 quilômetros de espessura com uma salinidade de cerca de 30% (isso é quase tão salgado quanto o Mar Morto).

Se o oceano plutoniano estivesse em processo de congelamento, o planeta estaria se contraindo. Mas parece estar se expandindo em vez disto. Os cientistas suspeitam que a radioatividade é suficiente para causar um pouco de calor. As grossas camadas de gelo da superfície atuam como um isolante e a provável presença de amônia atua como anticongelante.

Os núcleos de Netuno e Urano são envolvidos em plástico orgânicos

(Créditos da imagem: NASA).

Com a matemática, sabemos o que se encontra sob as nuvens dos gigantes gasosos distantes, com pressões atmosféricas de cerca de nove milhões de vezes maior do que a da Terra. Os cientistas usam o Algoritmo da Estrutura Universal: Xilografia evolucionária (USPEX, na sigla em inglês) para fazer exames hipotéticos sobre o que está acontecendo no interior desses planetas.

Sabendo que Netuno e Urano são compostos principalmente de oxigênio, carbono e hidrogênio, pesquisadores conectaram os números para ver que tipo de química aconteceria. Os resultados são: polímeros exóticos, plásticos orgânicos, ácido carbônico cristalizado e ácido orto-carbonílico (também conhecido como “ácido de Hitler“, porque sua estrutura atômica parece uma suástica) envolvendo um núcleo rochoso.

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Mercúrio tem um super Grand Canyon

(Créditos da imagem: NASA/JHUAPL/Carnegie Institution of Washington/DLR/Smithsonian Institution).

Há 4 milhões de anos, Mercúrio começou a esfriar, a se curvar e encolher. Isso criou uma enorme fissura que os cientistas chamam de “grande vale”.

O vale tem cerca de 400 quilômetros de largura e 965 quilômetros de extensão, com lados íngremes que descem até 3 quilômetros abaixo do terreno circundante. Para colocar isso em perspectiva, se o grande vale de Mercúrio existisse na Terra, seria quase duas vezes mais profundo que o Grand Canyon e chegaria de Washington a Nova Iorque.

Em um pequeno planeta, que tem pouco mais de 4.800 quilômetros de circunferência, o grande vale é mais como uma enorme cicatriz.

Vênus provavelmente já foi habitável

(Créditos da imagem: ESA).

Vênus é o único planeta que gira para trás. A 460 graus Celsius, sua superfície é quente o suficiente para derreter chumbo, e tem nuvens de ácido sulfúrico. Mas em um ponto Vênus pode ter sido capaz de suportar a vida.

Há quatro bilhões de anos, Vênus tinha oceanos. Acredita-se que o planeta tinha água por mais de dois bilhões de anos. Hoje, Vênus é extremamente seco. O vento solar destruiu tudo.

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A atmosfera de Vênus desencadeia um grande campo elétrico — cerca de cinco vezes mais forte do que o da Terra. Esse campo também é forte o suficiente para superar a gravidade de Vênus e empurrar oxigênio e hidrogênio para a atmosfera superior, onde os ventos solares captam os elementos.

Os cientistas não sabem o porquê do campo elétrico de Vênus ser tão forte, mas pode estar relacionado com a distância entre o planeta e o Sol.

O núcleo da Terra é “alimentado” pela Lua

(Créditos da imagem: Science Daily).

A Terra é cercada por um campo magnético que nos protege de partículas carregadas e radiação nociva. Caso contrário, estaríamos expostos aos raios cósmicos mil vezes a mais.

É ótimo que tenhamos uma bola gigante de ferro fundido (núcleo) girando no centro da Terra. Até recentemente, os cientistas não tinham certeza do porquê ele [o núcleo] continuava girando.

A nova hipótese diz que a órbita da Lua mantém o núcleo da Terra girando, injetando cerca de mil bilhões de watts de energia. A Lua pode ser muito mais importante do que jamais imaginamos.

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Os anéis de Saturno são novos

(Créditos da imagem: Space.com).

Desde os anos 1600, houve debates sobre quanto tempo têm os anéis de Saturno e de onde eles vêm. Em teoria, Saturno já teve mais luas e algumas delas se chocaram. Os detritos resultantes transformaram-se em anéis.

Todas as luas de Saturno estão sendo jogadas em órbitas maiores, isso permite que os cientistas calculem quando a colisão das luas aconteceu.

Os números sugerem que os anéis de Saturno provavelmente não foram gerados há quatro bilhões de anos. Aparentemente, as principais luas de Saturno — com exceção de Titã e Jápeto — foram formadas durante o Período Cretáceo, o tempo dos dinossauros.

Quinze mil novos asteroides e cometas foram descobertos

(Créditos da imagem: SCI News).

Em 2005, a NASA foi encarregada de encontrar 90% dos grandes objetos próximos da Terra (NEO, na sigla em inglês) até 2020. Até agora, eles encontraram 90% dos NEOs de 915 metros ou maiores, mas apenas 25% dos NEOs de 140 metros ou maiores.

Em 2016, a NASA encontrou 15 mil NEOs.

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A NASA está catalogando todos os cometas e asteroides ao redor da Terra para se certificar do que está vindo em nossa direção. Mesmo assim, sem aviso prévio, um meteoro de 20 metros de largura explodiu sobre a cidade de Chelyabinsk, na Rússia, em fevereiro de 2013.

As grandes descobertas da sonda Rosetta

(Créditos da imagem: ESA).

A nave espacial Rosetta, da Agência Espacial Europeia, orbitou o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko por dois anos. A sonda fez estudos e até colocou um módulo na superfície.

Essa missão de 12 anos fez uma série de descobertas importantes. Por exemplo, a Rosetta detectou o aminoácido glicina — um componente básico da vida. Embora os cientistas tenham levantado a hipótese que os aminoácidos podem ter se formado no espaço no início do Sistema Solar, essa foi a primeira vez que os elementos foram encontrados.

A sonda descobriu 60 moléculas, e 34 nunca tinham sido encontradas antes em um cometa. Os instrumentos da espaçonave também mostraram uma “diferença significativa na composição entre a água do cometa 67P/C-G e a da Terra”.

Depois que a missão chegou à sua conclusão em 30 de setembro de 2016, a ESA bateu a espaçonave no lado do cometa.

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Mistérios do Sol resolvidos

(Créditos da imagem: NASA/SDO/AIA/LMSAL).

Todos os planetas e estrelas têm polos magnéticos, e eles mudam ao passar do tempo. Na Terra, os polos invertem a cada 200 mil a 300 mil anos.

No Sol, as coisas se movem em um ritmo mais rápido. A cada 11 anos ou mais, a polaridade do campo magnético do Sol altera. Isso coincide com um período de aumento das manchas solares e atividade solar.

Estranhamente, Vênus, Terra e Júpiter estão alinhados ao mesmo tempo. Os cientistas acreditam que os planetas podem estar afetando o Sol. Segundo o estudo, quando os planetas estão alinhados, a gravidade se combina e causa um efeito de maré no plasma solar, puxando-o e perturbando o campo magnético do Sol.

Adaptado de Monte L. Richard para o ListVerse.
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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 18 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.