(Créditos da imagem: Reprodução).

No mundo atual, a melhor forma de percebermos como a música pode nos provocar emoções e sensações, é pensar em uma trilha sonora. O recurso mais utilizado para causar tensão e desconforto é o trítono, um acorde desarmonioso.

“Como Deus é perfeito, um som desarmônico, portanto imperfeito, deve ser banido, pois só pode pertencer ao Diabo”. Esse pensamento fazia sentido durante a Idade Média, pois a sociedade era mais do que nunca, controlada pela igreja. O próprio Papa proibiu a utilização do trítono em músicas sacras, que durou até o século XVIII. O mais engraçado é que ao ouvir As Quatro Estações, de Vivaldi, por exemplo, ou a música de abertura dos Simpsons, nada de diabólico pode ser notado, apesar da utilização do trítono. Um artista que explorou muito o trítono é o Robert Johnson — ouça Me And The Devil Blues.

Boécio, filósofo europeu nascido em meados do século V, que exerceu grande influência nesse repúdio do trítono, disse em seu livro De Institutione Musica, que “quando nosso interior está coeso e convenientemente ajustado, percebemos o que nos sons está ajustado de forma exata e conveniente e nos deleitamos com isso; também comprovamos que nós mesmos somos regidos pela mesma semelhança. Essa semelhança é, sem dúvida, agradável, e a dessemelhança é odiosa e repulsiva.”

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Por que esse som é desarmônico?

O trítono é basicamente um intervalo de três tons inteiros entre duas notas — qualquer som tocado que atenda a esse enunciado soará desarmonicamente para os padrões musicais ocidentais. Por exemplo, o sol e dó sustenido.

Há uma explicação matemática para o fenômeno. A divisão entre a frequência das duas notas gera um número irracional — que não tem fim após a vírgula. Por exemplo, sol = 391,995 Hz e dó sustenido = 277,182 Hz. A divisão entre eles é 1,414…, o equivalente a raíz quadrada de 2, um número de infinitas casas decimais.

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O mais louco são as propriedades matemáticas do trítono, como a proporção. Ele é o único intervalo com capacidade de dividir uma oitava em duas partes iguais. Após dividi-lo, sobreponha as partes e obtenha um diminuto, que não é desarmônico.

Referências:

  1. Gaglioni, Cesar. O que é o som do diabo. E por que ele foi proibido por anos; Nexo. Acesso em: 02 set. 2019.
  2. Vaiano, Bruno. “Trítono: o diabo na música; Superinteressante. Acesso em: 02 set. 2019.
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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pelo jornalismo científico. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente faço o ensino médio em uma ETEC e escrevo para o Ciencianautas.

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