Paciente tetraplégico caminha com exoesqueleto, na França. (Créditos da imagem: The Lancet Neurology).

Um homem paralisado conseguiu andar novamente usando um traje exoesqueleto que controla com a mente. Embora ainda não o deixe andar de forma independente — o traje está suspenso por arnês para impedir que ele caia — o avanço representa os primeiros passos no caminho para esse objetivo.

“Isso é realmente inovador”, disse Ravi Vaidyanathan, do Imperial College London, que não participou do trabalho.

Os sensores cerebrais implantados também permitem que o homem, que quebrou o pescoço em uma queda há quatro anos, mova os braços e as mãos do exoesqueleto.

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Vários grupos de pesquisadores estão trabalhando em maneiras de permitir que pessoas com lesões na medula espinhal recuperem o controle sobre seus corpos lendo seus pensamentos. Até agora, a abordagem mais comum tem sido inserir eletrodos ultrafinos no cérebro.

Mas isso implica ter fios entrando no crânio, o que pode permitir uma infecção. Os eletrodos também param gradualmente de funcionar tão bem nos meses seguintes, à medida que são cobertos por células que formam um tipo de tecido cicatricial.

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Para contornar esses problemas, Alim Louis Benabid, da Universidade de Grenoble Alpes, na França, e seus colegas, em vez disso, colocaram eletrodos no topo do cérebro, repousando sobre sua resistente membrana externa. “Se houver algum tipo de infecção, ela permanecerá do lado de fora”, disse Benabid.

Os pesquisadores começaram pedindo ao homem, um ex-oculista conhecido como Thibault, que fizesse varreduras cerebrais para mapear quais áreas se tornariam ativas quando ele pensar em andar ou mover os braços. Em seguida, eles substituíram dois discos de crânio de 5 centímetros, um de cada lado da cabeça, pelos sensores de cérebro, que têm eletrodos na parte de baixo.

Thibault praticou o uso dos sensores, primeiro tentando mover um avatar em forma de exoesqueleto em um computador. Então ele foi amarrado no traje e aprendeu a fazê-lo começar a andar para a frente, enquanto era sustentado por cima pelas arnês.

“Eu me senti como o primeiro homem na Lua”, disse Thibault. “Não ando há dois anos. Eu tinha esquecido que costumava ser mais alto do que muitas pessoas na sala. Foi muito impressionante.”

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O próximo objetivo da equipe é fazer o exoesqueleto se equilibrar. “O que precisamos é de maior velocidade de computação — ainda não temos tempo de reação”, informou Benabid.

“Imagine todos os ajustes necessários para se manter em pé”, disse Vaidyanathan. “Se você puder contar com o robô para alguma estabilização, a caminhada é potencialmente possível”.

Thibault também aprendeu a usar os braços do traje para tarefas cada vez mais complexas, como girar os pulsos, alcançar objetos e usar as duas mãos simultaneamente.

No entanto, o trabalho não correu bem. Antes de Thibault, havia outra pessoa que colocou os implantes, mas eles pararam de trabalhar alguns segundos depois de serem ligados, devido a uma falha técnica. “Ele ficou decepcionado”, disse Benabid.

Agora que o problema foi resolvido e houve bons resultados com o Thibault, a equipe está prestes a colocar implantes em mais três pessoas.

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O fato de os implantes de Thibault ainda estarem funcionando após 27 meses é altamente promissor, disse Vaidyanathan. “Obviamente, ainda há um longo caminho a percorrer antes que possa ser usado em geral, mas este é um passo crucial”. [New Scientist].

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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 18 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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