Reconstrução de um gigante gasoso orbitando uma estrela anã vermelha. (Créditos da imagem: University of Bern).

A anã vermelha GJ 3512 está localizada a 30 anos-luz de nós e, embora a estrela tenha apenas cerca de um décimo da massa do Sol, possui um planeta gigante. “Em torno dessas estrelas só deve haver planetas do tamanho da Terra ou super-Terras um pouco mais massivas”, disse Christoph Mordasini, professor da Universidade de Berna e membro do PlanetS do National Centre of Competence in Research (NCCR PlanetS, na sigla em inglês).

“O GJ 3512b, no entanto, é um planeta gigante que tem cerca da metade do tamanho de Júpiter e, portanto, pelo menos uma ordem de magnitude mais massiva que os planetas previstos pelos modelos teóricos para essas estrelas pequenas”.

O misterioso planeta foi detectado por um consórcio de pesquisa espanhol-alemão chamado CARMENES, que estabeleceu o objetivo de descobrir planetas em torno das estrelas mais pequenas. Para esse fim, o consórcio construiu um novo instrumento, que foi instalado no Observatório Calar Alto, a 2100 metros de altitude, no sul da Espanha. Observações com este espectrógrafo de infravermelho mostraram que a pequena estrela se movia regularmente em nossa direção e para longe de nós — um fenômeno desencadeado por um companheiro que tinha que ser particularmente massivo nesse caso. Como essa descoberta foi tão inesperada, o consórcio entrou em contato, entre outros, com o grupo de pesquisa de Berna de Mordasini, um dos principais especialistas mundiais em teoria da formação de planetas, para discutir cenários plausíveis de formação para o exoplaneta gigante. O artigo com todas as contribuições foi publicado na revista Science.

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O observatório Calar Alto, na Espanha, usado na descoberta do planeta. (Créditos da imagem: Pedro Amado/Marco Azzaro/IAA/CSIC).

Processo de baixo para cima ou colapso?

“O nosso modelo de formação e evolução de planetas prevê que em torno de pequenas estrelas um grande número de pequenos planetas será formado”, resume Mordasini, referindo-se a outro sistema planetário conhecido como exemplo: o Trappist-1. Esta estrela comparável à GJ 3512 possui sete planetas com massas aproximadamente iguais ou até menores que a massa da Terra. Nesse caso, os cálculos do modelo de Berna concordam bem com a observação. Mas não é assim com o GJ 3512.

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“O nosso modelo prevê que não deve haver planetas gigantes ao redor de tais estrelas”, revela Mordasini. Uma explicação possível para o fracasso da teoria atual pode ser o mecanismo subjacente ao modelo, conhecido como acreção central. Os planetas são formados pelo crescimento gradual de corpos pequenos em massas cada vez maiores. Os especialistas chamam isso de “processo ascendente”.

Talvez o planeta gigante GJ 3512b tenha sido formado por um mecanismo fundamentalmente diferente, o chamado colapso gravitacional.

“Uma parte do disco de gás no qual os planetas são formados entra em colapso diretamente sob sua própria força gravitacional”, explica Mordasini. “Um processo de cima para baixo”, finaliza.

Mas até essa explicação apresenta problemas. “Por que o planeta não continuou a crescer e migrar para mais perto da estrela neste caso? Você esperaria tanto se o disco de gás tivesse massa suficiente para se tornar instável sob sua gravidade”, disse o especialista. “O planeta GJ 3512b é uma descoberta importante que deve melhorar nossa compreensão de como os planetas se formam em torno de tais estrelas”. [ScienceDaily].

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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 18 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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