Lua Europa. (Créditos da imagem: NASA/JPL-Caltech/SETI Institute).

Entre todas as 67 luas de Júpiter, uma em especial chama muita atenção dos cientistas. A lua Europa é um satélite natural com uma superfície de gelo. Abaixo dessa camada de gelo, há um gigante oceano, com grande probabilidade de vida.

Diversas agências, institutos e pesquisadores cobiçam pela existência de vida na lua Europa. Através da missão Europa Clipper, prevista para ser lançada em 2020, a NASA quer sobrevoar a lua Europa diversas vezes com a finalidade de encontrar evidências para algumas teorias e hipóteses. Uma outra missão, que será lançada em 2030, tem a finalidade de pousar na superfície do satélite.

Enquanto isso, um grupo de brasileiros trabalha para entender melhor a possibilidade de vida no satélite e ao mesmo tempo, criar novas hipóteses para a origem da vida na Terra. Para existir vida, é necessário uma fonte de energia, como a nossa, da superfície terrestre, que é o Sol. O grupo utilizou como modelo para seus estudos uma mina de ouro chamada de Mponeng, localizada na África do Sul.

“Nessa mina subterrânea de grande profundidade, há rachaduras por onde vaza água com a presença de urânio radioativo. O urânio quebra as moléculas de água produzindo radicais livres [H+, OH e outros]. Os radicais livres atacam as rochas do entorno, especialmente a pirita [dissulfeto de ferro, FeS2], produzindo sulfatos. E as bactérias utilizam os sulfatos para sintetizar ATP [trifosfato de adenosina], nucleotídeo responsável pelo armazenamento de energia nas células”, disse Douglas Galante, coordenador do estudo. “Foi a primeira vez que se observou um ecossistema que subsiste diretamente com base na energia nuclear”.

Com esse estudo, o grupo pode entender melhor como a vida surgiu, caso tenha surgido, na lua Europa. Esse satélite natural é muito parecido com a Terra primitiva, logo, entendendo a vida lá, podemos entender o início vida na Terra. É isso que Galante e seu grupo sugerem em um artigo publicado na revista Nature. A vida com base na energia não só pode ter dado origem a vida em Europa, como pode ter dado a origem da vida na Terra. Exoplanetas também podem possuir espécies utilizando da radiólise para gerar energia, já que o material radioativo é gerado em explosões de supernovas, um fenômeno comum no Universo.

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“Tal presença já foi detectada e medida na Terra, nos meteoritos que chegam à Terra e em Marte. Por isso, podemos afirmar, com certa tranquilidade, que deve ter ocorrido também em Europa. Em nosso estudo, trabalhamos com três elementos radioativos: urânio, tório e potássio, pois são os mais abundantes no contexto terrestre. Com base nas porcentagens encontradas na Terra, nos meteoritos e em Marte, podemos presumir as quantidades eventualmente existentes em Europa”, disse Galante.

Referências:

  1. GALANTE, Douglas et al. “Microbial habitability of Europa sustained by radioactive sources”; Nature. Acesso em: 24 jan. 2017.
  2. FAPESP. Brasileiros criam modelo para avaliar possibilidade de vida em lua de Júpiter. Acesso em: 24 jan. 2017.

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